É preciso desconstruir e não enfrentar

Ainda estou na faculdade de arquitetura, mais precisamente em São Paulo, ou seja, meus professores são declaradamente representantes ou discípulos da escola modernista/ brutalista paulista. Eu particularmente não estou na faculdade mais modernista de são Paulo, mas estou na segunda (if you know what i mean), e ali vejo duas correntes de pensamento claras: os filhos do Artigas e os hereges (hahaha). O que me incomoda muito pois, eu passei meus quase cinco anos de faculdade aprendendo que o modernismo é o pior movimento arquitetônico que já existiu por ter criado áreas totalmente áridas e desumanizadas por gigantescos tapetes gramados que intimidam o usuário ou aqueles que não entendem como alguém não venera os grandes espaços voltados para o povo, a produção seriada e os mais magníficos exemplos de estrutura já construídos no nosso país. O que eu sinto é que para o arquiteto paulista o modernismo é um dogma: ou você o nega ou você tem fé nele. O que para uma ateia declarada, porem que não é contra a existência da religião, e entende o valor dela, não faz sentido.

Meu entendimento do modernismo e a aceitação dele veio, como, no meu questionamento da religião em que eu cresci, eu vivia em um dogma (ou seja, não o questionava) que depois de muitos anos de reflexão, questionamentos e estudos resolvi negar. Mas pera! Você acabou de falar que aceitava o modernismo e agora ta falando que nega o dogma? Então é isso mesmo. Eu meu ver, de uma pessoa não estudiosa no assunto, eu acho ridículas ambas posições sobre o modernismo, ele não é a pior coisa do mundo! Ele nos ensinou muito, ao mesmo tempo que ele não eh perfeito! Ele cagou muito em muitas cidades pelo mundo (principalmente Brasília). E me cansam esse professores, por dois motivos, muitos deles se você apresenta algo remotamente modernista fica muito irritado com a sua “falta de originalidade”, e com como você se esforçou “pouco” pois a sua planta e estrutura são tão ortogonais e pelo outro lado se você apresenta algo com uma tecnologia de ponta e um design completamente maluco o professor chega a ficar bravo pois você está se preocupando com coisas que na verdade “não” são arquitetura (como se só Paulinho fosse arquiteto nesse mundo). Isso me irrita, sabe dentro da academia é a hora de experimentarmos e fazermos coisas completamente utópicas e loucas como se não houvesse amanhã ao mesmo tempo que é o lugar de aprendermos sobre produzir espaços para as pessoas viverem e não para elas apenas olharem.

Então o que eu proponho, como em tudo na vida, não sejamos tão radicais, pelo nosso próprio bem, peguemos o caminho do meio. Nada nesse mundo é perfeito ou definitivo, a não ser as leis da natureza, nós somos humanos, em eterno desenvolvimento e evolução. Então não sejamos como alunos da quinta série que não entendem porque estudam história e nem aquele vô rabugento que fica repetindo aquela frase tão clichê “na minha época…”. O modernismo é foda, a bossa nova é foda e principalmente o Artigas é foda assim como o Jobim é foda. Eu quero sim fazer um prédio de estrutura modernista e adotar mil táticas bioclimáticas que eles adotavam muito antes da palavra sustentabilidade (quem me disse isso foi um professor de 70 anos, a quem devo muito no meu desenvolvimento na faculdade) mas eu quero questionar isso e/ou adicionar a isso outras táticas ou formas contemporâneas. Eu não quero deixar o concreto e o cobogo de lado, quero talvez utiliza-los me apoiando ou reinterpretando velhos conceitos, não quero que uma arquitetura barata e absolutamente bioclimatica seja taxada de preguiçosa ou com de falta de uau factor. Quero aprender com todo mundo, beber de muitas fontes e aprender errando da minha maneira, com os sonhos da minha geração. Afinal, quero ser Caetano.