sobre qualquer iluminação roxa o suficiente
nunca tentei executar o pulo sobre as águas doces do rio que encharcamos nossos pés quando eu tinha recém-feito quinze anos. minha boca explodiu enquanto você botava uvas na minha boca e eu me sentia parte de uma obra renascentista
te levei no meu canto favorito daquela sala toda branca e achei que alguns alarmes apitariam, mas tudo permaneceu no exato silêncio.
(certas atmosferas se desdobram sobre nossas cabeças e não há motivos para que se entorte. respira)
não consigo negar a passagem de ar pelas narinas ou o caminhar do sangue entre as minhas veias verdes roxas azuis pretas com flores nas peles folhas nas mãos suor na minha pestana e areia na minha boca.
peraí.
eu preciso recomeçar.
nunca tentei executar o pulo sobre as águas doces que encharcam minha cabeça e a sua como se me batizassem depois dos vinte como se o padre pegasse aquele negócio prateado e despejasse pelo couro cabeludo como quem diz: sim sim vai pode ir. respira.
certas coisas que deveriam ter passado: permanecem. diabos. onde?
qualquer tentativa de te pinçar pra fora pode acabar te afundando mais e mais e mais como aquele fiapo de madeira que entrou no meu dedão. o bendito não me deixou até agora.
gosto dos seus
lábios
orelha
nariz
mão
ombros
ossos
gosto de tudo
que não toquei
por medo
e o restante
sim sim sim
(você sabe etc)
meus dedos travam em trampolins e me lembro da altura do gosto da sensação da água nos meus poros do pulmão das traquéias lembro de tudo o que era pra ter sido esquecido na segunda gaveta da casa que eu fugi
nossa polinização
saudável
como dois corpos que
se marcam
e se despedem
sem apitar uma palavra
sequer
não sou dada
as finalizações
e por isso
etc
