RESENHA CRÍTICA: Um amor sem profundidade

O novo filme de Gaspar Noé, “Love”, conhecido por suas adaptações de cinema chocantes (Viagem alucinante, Irreversível e Carne), novamente assusta o público com suas cenas de sexo explícito, ejaculações diretas na câmera e brigas ensaiadas, tudo apresentado em 3D. Infelizmente, nada mais é do que uma adaptação egoísta e machista do autor: o protagonista explica que o seu filme perfeito teria amor, sexo, e sangue, o que se vê exatamente em “Love”. Mesmo o sangue não sendo literal, ele é literário; Noé mostra o sofrimento de ter um coração partido nos flashbacks dos diversos términos do casal Murphy e Electra.

A sinopse, criada no site Adoro Cinema, descreve Murphy, interpretado por Karl Glusman, como um homem frustrado com a vida que leva ao lado do filho e da namorada Omi, representada por Klara Kristin. Em um dos dias de sua vida entediante, ele recebe o telefonema da mãe de sua ex-namorada Electra, interpretada por Aomi Muyock, que pergunta se ele sabe sobre o paradeiro dela. Ao descobrir que Electra estava desaparecida há meses, o protagonista relembra de seus momentos mais marcantes com sua amada durante o relacionamento conturbado deles.

A maior tristeza ao ver um filme quase pornográfico nas telas de um cinema é perceber que mesmo os mais apaixonados veem o quão raso é a nova obra cinematográfica de Noé. Depois de ter chocado o mundo com seus filmes, ele peca consideravelmente na nova película. A ideia do roteirista e diretor conseguiria ser mais profunda se tivesse escrito a película como uma verdadeira história de amor, um melodrama sexual sobre um homem, uma mulher e mais outra mulher, como é descrita a sinopse do site do Internet Movie Database (IMDB).

Outro ponto que decepciona também é a atuação das duas únicas mulheres com papeis importantes. Noé descobriu-as em uma casa noturna em Paris e, aparentemente, foi o suficiente para contratá-las como as duas atrizes que interpretariam papéis fracos e desimportantes perto do protagonista. Ambas deixam a desejar; mais parecem modelos contemporâneas do que artistas dispostas a se entregar totalmente a personagens que exigem choros, gritos e cenas de sexo reais.

Mesmo no meio de erros, há alguns acertos: Noé tem uma visão incrível para a fotografia no filme. As viradas de câmera são calculadas para trazer a melhor visão, as cores utilizadas nas luzes e nos objetos secundários nas cenas, e o contraste entre os flashbacks e os tempos atuais causam inveja a qualquer apaixonado por cinematografia.

Ao todo, o filme não merece a popularidade que tem. A falta de profundidade do amor entre Murphy e as mulheres deixa o filme cansativo, puramente pornográfico e entediante. Nem mesmo a fotografia pode o salvar.

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