Ela

No anseio de encontrar palavras para um começo poético, lembro apenas de seus apertados caracóis e histórias distantes entrelaçadas a eles. Histórias vindas do coração de quem vive intensamente sem precisar de muito. O quem se chama Ingrid: a menina do coração sem dimensão.

Ela é diferente. Tem sua opinião, seu jeito, seu carisma. Tem a pele negra e um Black Power cheio de amor. Está sempre sorrindo. Ela é ela.

Acho um máximo ouvi-la falar. Ingrid é daquelas baianas arretadas que fala “mainha, painho e oxi”. Ingrid é a Emília da Bahia. Fala pelos cotovelos. É um verdadeiro livro aberto. Tem história com o cobrador de ônibus, com a mulher da barraquinha de acarajé, com os pagodes da vida e seus amigos chegados. Ela conta tudo em detalhes, pausadamente, sem hora para acabar.

Ingrid e eu temos déficit de atenção. Somos esquecidas e nos distraímos muito fácil. Mas, às vezes, ela é pior do que eu, tenho que confessar. Ô, menina esquecida. Já rimos muito.

Ingrid faz o macarrão com salsicha mais amoroso que já comi na vida. Ela não mede esforços para me ver bem. Me leva no ponto de ônibus e não sai dali enquanto ele não chegar. Exclama meu nome quando me vê e já vem me abraçar. Me acolhe sempre que preciso de casa para dormir. A Ingrid chegou em minha vida num momento complicado e cuidou de mim. Isso me enche de lágrimas nos olhos.

Ela me faz muito bem.

Sou grata por ter conhecido Ingrid. Tenho sorte de poder conhecer além dos caracóis dos seus cabelos. Tenho sorte de poder ver que não é preciso de muito para ser feliz.

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