o contrário de ordem mas de um jeito bom

Anne Cardon
Nov 3 · 3 min read

comecei a escrever um texto sobre qualidades que admiro nas pessoas e no momento da segunda frase esqueci todas as qualidades e as pessoas que iria mencionar, ainda que anonimamente.

comecei a ver uma série massa e parei pois queria escrever esse texto.

olho para o livro amarelo e lembro que quero muito terminá-lo.

ao menos os gatos estão bem cuidados, e eu também, alimentada e hidratada.

tem dias que são assim, as coisas vão ficando pra trás, e não há culpa. afinal, quem vai me xingar por estar lendo três livros ao mesmo tempo? ou duas séries ao mesmo tempo? sou a promíscua da mídia e da cultura?

quem vai me julgar se eu escutar nick drake e depois querer escutar Teago oliveira? é Teago mesmo, com e.

mas vou deixar o nick drake pois notei novamente que ele é mencionado na primeira temporada de gilmore girls. assim como o comunismo.

hoje acordei pensando na cidade que me fez bem e no quão anne me senti. nos caminhos que descobria, sabendo que não tinha como dar errado pois a cidade é pequena e fácil de achar. e se me perdesse eu podia simplesmente pedir ajuda, sem medo. podia fazer uma refeição e contar com o papo do dono do restaurante e troca de figurinhas sobre as cidades natais. podia beber uma cerveja grande sozinha, folheando o trópico de câncer.

ah quero voltar praquele lugar que chamo de casa, e que choro de saudade. aquela casa com piso de madeira e janela para a igreja, com poucos móveis e muito espaço pra dançar. espaço pra viver nos braços de alguém que não existe mais.

se acreditasse em várias vidas diria para todos que fui tomás. desejei tanto uma mulher, e dediquei meus pensamentos a ela. olhei para casa que agora é uma escola e pensava em como estariam seus cabelos, qual a cor do vestido, se estaria pensando em mim. teria andado por aquela casa com minhas longas pernas e longos cabelos. teria sentado no jardim, contemplando a araucária e os cantos dos pássaros.

hoje estudo pra separar desejo biológico de qualquer visão romantizada, e sei que esse é um ato solitário, que não posso explicar pra qualquer um. e me prejudico por isso.

Além do bem e do mal, do Nietzsche, no avião, na ida para Belo Horizonte, mas não foi lá que conheci o moço.

se bem que esse ano conheci um rapaz devido ao fato de possuir um livro do nietzsche na bolsa pequena. fico pensando que o rapaz deve pensar um pouco como eu, e procurar nas pessoas alguém que o curta pela sua inteligências e tempo investido em reflexão. ele encontrou naquele dia e ficou pasmo, boquiaberto, sorrindo.

eu? bom eu ri de satisfação, mostrei todos os dentes e senti como se ganhasse nota dez na escola: aquele mesmo tipo de satisfação. queria sentir o que ele sentiu.

hoje queria terminar alguma coisa: o livro, a série.

acho que vou é fazer um café e ir ler na praça, folhear páginas enquando os cachorros correm do meu lado.

acho que vai ser um domingo de to be continued.

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leio e penso demais. escrevo com minúsculas pq fica mais bonito o texto, olha só.

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