o contrário de ordem mas de um jeito bom
comecei a escrever um texto sobre qualidades que admiro nas pessoas e no momento da segunda frase esqueci todas as qualidades e as pessoas que iria mencionar, ainda que anonimamente.
comecei a ver uma série massa e parei pois queria escrever esse texto.
olho para o livro amarelo e lembro que quero muito terminá-lo.
ao menos os gatos estão bem cuidados, e eu também, alimentada e hidratada.
tem dias que são assim, as coisas vão ficando pra trás, e não há culpa. afinal, quem vai me xingar por estar lendo três livros ao mesmo tempo? ou duas séries ao mesmo tempo? sou a promíscua da mídia e da cultura?
quem vai me julgar se eu escutar nick drake e depois querer escutar Teago oliveira? é Teago mesmo, com e.
mas vou deixar o nick drake pois notei novamente que ele é mencionado na primeira temporada de gilmore girls. assim como o comunismo.
hoje acordei pensando na cidade que me fez bem e no quão anne me senti. nos caminhos que descobria, sabendo que não tinha como dar errado pois a cidade é pequena e fácil de achar. e se me perdesse eu podia simplesmente pedir ajuda, sem medo. podia fazer uma refeição e contar com o papo do dono do restaurante e troca de figurinhas sobre as cidades natais. podia beber uma cerveja grande sozinha, folheando o trópico de câncer.
ah quero voltar praquele lugar que chamo de casa, e que choro de saudade. aquela casa com piso de madeira e janela para a igreja, com poucos móveis e muito espaço pra dançar. espaço pra viver nos braços de alguém que não existe mais.
se acreditasse em várias vidas diria para todos que fui tomás. desejei tanto uma mulher, e dediquei meus pensamentos a ela. olhei para casa que agora é uma escola e pensava em como estariam seus cabelos, qual a cor do vestido, se estaria pensando em mim. teria andado por aquela casa com minhas longas pernas e longos cabelos. teria sentado no jardim, contemplando a araucária e os cantos dos pássaros.
hoje estudo pra separar desejo biológico de qualquer visão romantizada, e sei que esse é um ato solitário, que não posso explicar pra qualquer um. e me prejudico por isso.

se bem que esse ano conheci um rapaz devido ao fato de possuir um livro do nietzsche na bolsa pequena. fico pensando que o rapaz deve pensar um pouco como eu, e procurar nas pessoas alguém que o curta pela sua inteligências e tempo investido em reflexão. ele encontrou naquele dia e ficou pasmo, boquiaberto, sorrindo.
eu? bom eu ri de satisfação, mostrei todos os dentes e senti como se ganhasse nota dez na escola: aquele mesmo tipo de satisfação. queria sentir o que ele sentiu.
hoje queria terminar alguma coisa: o livro, a série.
acho que vou é fazer um café e ir ler na praça, folhear páginas enquando os cachorros correm do meu lado.
acho que vai ser um domingo de to be continued.
