Cresce, menina.

Às vezes eu queria que eu tivesse nascido mais simples. Se eu tivesse sido menos analítica e complicada e mais realista e prática na vida, sabe-se lá como teriam sido as coisas. Conheço pessoas assim. Do-ers, como eu costumo chama-las. São pessoas que não param para pensar no que está errado. Elas vão lá e fazem. Apareceu idéia? Fiz. Não deu certo? Consertei. Não dá para consertar? Lidei com a consequência.

Ação, ação, ação. Fiz. Tô fazendo. Vou fazer.

É a vida acontecendo 24/7.

Complicar menos. Criar menos problemas, ser mais sensata e usar mais o bom senso. Talvez me envolver menos? Quem dera a gente pudesse controlar o sentimento. Nope, acorda.

Tô sendo utópica, mais uma vez. Talvez sejam apenas desejos íntimos de que eu amadureça e que as coisas daqui em diante funcionem magicamente. Que como num estalar de dedos eu seja empoderada fodona e que as coisas simplesmente comecem a funcionar.

Dei até um sorrisinho ao escrever isso porque parece ser tão inacreditavelmente simples.

Click. Problema resolvido. Cadê problemas?

“Querido, o café tá na mesa, tô saindo pra trabalhar tá? Beijo, te amo.”

Vou trabalhar, tranquila, saudável, sem preocupações além do trivial do dia a dia. Tenho um trabalho que me dignifica e de grande responsabilidade. Pica grossa numa empresa de alimentos de sucesso. Executiva que decide a porra toda. Volto no final da tarde, chego em casa, tiro o sapato e fico de calcinha e camisa na frente da tv, tomando um café, com os pés em cima da mesinha de centro, olhando o celular esperando o marido.

Marido chega e vê a cena. “Oi amor. E ai, como foi o dia?” “Ah, lindo, o stress de sempre, tu sabes como é”. Marido vem e dá beijinho na testa e vai ver o que a gente tem para jantar. Vou ajudar. Preparamos juntos alguma coisinha gostosa para comer. Beijos, mãos, taça de vinho, risos, cumplicidade, amor.

Parece simples. Mas é sonho idealizado em rabiscos de uma menina que não sabe se quer uma vida fácil ou uma vida de verdade.

Tão sonhadora, Annie.

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