“Escrevo para não ser escravo, e acabo sendo.”

Essa frase foi me dita por um cara que eu amei muito. Ele tinha o dom da palavra, era um ótimo escritor. Sabia mergulhar no que sentia e expressar isso de maneira única.

Amar um escritor tem dessas, você se apega às palavras. Te faz esquecer que o amor romântico é uma utopia, um vício, uma fase. Não te ajuda a manter os pés no chão porque você flutua feliz num mar intenso de amor e poesia.

E é delicioso. E pode ser ao mesmo tempo desastroso. É só ler os romances: Muito drama, muito romance, muitas idealizações e pouca realidade.

E uma hora tanta intensidade acaba.

Depois de me machucar tanto por mergulhar de cabeça em mares rasos, hoje não mergulho. Só coloco os pés na água pra saber se a água está fria ou quente. Alguns parecem profundos mas são na verdade bem rasos. Outros parecem rasos e podem ser profundos.

Mas ainda assim eu não largo a vontade de mergulhar.

Nem de escrever.

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