A primeira vez de todas as vezes

A primeira vez de todas as vezes sempre é especial. Pois, independente do que se trata, trata-se do novo. É provável que será engraçada, atrapalhada, estranha, talvez dolorida. Mas memorável. A primeira vez do que for que seja é inesquecível, para o bem ou para o mal.

Em 2017 vivi a experiência da primeira vez mais complexa da minha vida, quiçá de todas as vidas, da minha e da sua, das pessoas e dos bichos. Gerar um filho. Os bichos, ao certo, a vivenciam com total naturalidade, poucas neuras e muito instinto. Nós, mulheres e mamíferas, também exploramos todos os sentidos, os instintivos e os aprendidos, mas com algumas preocupações extras e (admitamos) desnecessárias.

A primeira vez que nos tornamos mães abre um fluxo contínuo de afazeres, dúvidas e confusão. Claro que o amor pela cria muda o significado do viver, mas isso não dispensa todos os desafios da maternidade/paternidade.

A primeira vez deles é a nossa: o primeiro choro (que quase parou o meu coração), a primeira mamada no peito, o primeiro xixi na cara (normal, normal), o primeiro olho no olho, a primeira saudade.

Sim, a primeira saudade. Foi ela que me despertou para esse texto, feito memória que se instala no fundo do que sou. Fui sair de casa sem os bebês pela primeira vez. Havia muita gente. Havia um concerto. Havia música de emocionar. Me emocionei. Chorei disfarçando o choro. Corri para a casa, ciente de que senti a primeira das saudades que terei deles para todo o sempre.


Mas o que eu gostaria de me concentrar na escrita de hoje é no sabor de uma coisa que é feita pela primeira vez. Para falar além da geração do serzinho no ventre e falar de todos nós, seres em vivência terrestre.

Quero falar do sabor do novo. Que nos move e inspira e não deixa o tédio tomar conta. A maternidade logo se tornou essa nova oportunidade de quebrar a rotina dos dias (e se quebra!). Desde quando descobri a gravidez, o frio na barriga nunca mais me deixou. Que delícia que é viver com frio na barriga. E ela é o meu melhor exemplo a partir de agora porque causa uma ruptura sem precedentes. Por isso, motiva tantos a escreverem sobre o mesmo tema – apenas o nascimento de um filho para modificar de maneira tão abrupta qualquer sistema de pensamento e estrutura da vida. O nascimento e a morte, começo e fim que modificam tudo o mais entre eles.


Pois nada será tão grandioso quanto gerar um filho e aprender todo dia tudo de novo. E não se trata de opinar sobre que todos devem gerar um filho (como tanto se repete feito mantra para ser feliz). Mas que todos tenham novas primeiras vezes em suas vidas.

O novo arrepia, provoca, exige, modifica, paralisa só se deixarmos, inquieta e inspira, quebra o óbvio e nos faz sentir. Vivos. Mais conscientes do tempo. O novo aparentemente faz o tempo passar mais devagar. Ou seria o contrário? Muito ligeiro porque nos entregamos a ele enquanto os minutos desaparecem? Seja como for, o novo nos faz mais presentes no momento.


Que tenhamos mais primeiras vezes em 2018.

Na foto, Arthur (esq) e Gabriel (dir) que entenderão muitas coisas, mas nunca farão ideia do quanto me transformaram numa pessoa melhor e muito mais feliz. ❤️

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