ECONOMIA DO BRASIL, como ela está?
Na década anterior, o Brasil era enaltecido (juntamente com a Rússia, Índia, China e África do Sul) como uma das potências do Brics¹ — economias emergentes com taxas super altas de crescimento que ultrapassariam as economias desenvolvidas até 2050.O desempenho econômico desta década, no entanto, indica que o Brasil não pertence a essa categoria.

Estimativas para o desempenho do PIB no início de 2018 indicavam um crescimento de 3%, segundo o boletim Focus, porém, as expectativas foram se deteriorando, e o ano se encerrou com expansão de 1,1%. Existem muitas causas possíveis para esse recrudescimento no desempenho do PIB, entre elas, é válido citar: greve de caminhoneiros, ambiente internacional e incertezas eleitorais.Havendo no País uma continuidade de um crescimento decepcionante, é importante entender que o cenário é muito complicado. Isso significa que o Brasil estaria inserido em uma conjuntura pior que a da famosa década perdida², na qual o crescimento anual médio na década de 1980 era de 1,6%. Ao considerar a década atual — dados consolidados de 2018 — e as previsões do boletim Focus para os anos que seguem –, resultaria em um crescimento médio anual de 0,9% ao ano.
O País ainda está longe de recuperar o que foi perdido nos anos recentes, e, segundo algumas simulações, se o PIB crescer 2% a.a., o Brasil somente atingiria o PIB per capita de 2013 em 2025! E na possibilidade de crescer 2,5% a.a., a mesma riqueza per capita seria alcançada em 2023.
Os primeiros indicadores de 2019 revelam que estamos crescendo a um ritmo mais lento que em 2018. Ou melhor, inseridos em cenário de desaceleração do ritmo de atividade.
Em relação aos dados setoriais, o volume de vendas do comércio no Brasil, considerando o varejo restrito (IBGE), revela 1,9% na comparação interanual de janeiro, abaixo da média de 2018 em comparação a 2017, que era de 2,3%. Já em relação ao varejo ampliado, janeiro de 2019 em relação ao mesmo mês do ano passado aponta 3,5% de alta, abaixo dos 5% oriundos da comparação anual entre 2018 e 2017. A mesma tendência é observada na produção industrial, sob a mesma base de comparação — e, nesse caso, não se pode descartar o efeito da crise Argentina, que afeta os bens manufaturados.
O cenário global, como um todo, mostra algum desalento em relação aos resultados da economia brasileira. Houve uma certa euforia com os empresários e consumidores, sob a crença de que o governo poderia entregar mais do que, de fato, pode, e, por isso, há um movimento de revisão de expectativas.Entre os componentes da demanda agregada, um dos principais para puxar o crescimento da economia para cima neste ano é o consumo das famílias, ou seja, da demanda interna. Política fiscal está no caminho certo para garantir um bom cenário, mas é recessiva no curto prazo.
Em suma, o consumo das famílias depende da recuperação do nível de emprego, da renda, da confiança dos agentes e das condições de crédito. Com isso, os papéis do crédito e da retomada da confiança são notáveis.
Não se pode esperar ainda redução nas taxas de juros praticadas pelo Banco Central, pois se trata de um novo comando que ainda não tem sua credibilidade estabelecida. E é importante também entender que, na ausência de uma Reforma da Previdência — ou mesmo com uma reforma tímida –, haverá reflexo no câmbio e na inflação³.
A maior contribuição do BC ao crescimento é por meio da credibilidade e, principalmente, porque o Banco Central tem meta de inflação, não de crescimento!
NOTAS:
1-BRICS: é o nome de um conjunto econômico de países considerados “emergentes”, formado atualmente pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
2-Década perdida: é uma designação para o período financeiro de crise na América Latina durante a década de 1980.
3-Inflação: refere-se a um aumento contínuo e generalizado dos preços em uma economia.
Referência:
“4 fatores que mostram o que há de errado com a economia brasileira”;BBC NEWS. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-48430936. Acesso em: 02 de novembro de 2019.
“ A economia brasileira em 2019: nova decepção?”; Antonio Lanzana. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/colunistas/um-brasil/a-economia-brasileira-em-2019-nova-decepcao/. Acesso em: 02 de novembro de 2019.
