viajando entre os espaços atômicos
que se abriram no meu cérebro
após passar por debaixo do túnel
que ligavam o trajeto dos nossos olhares
e fez com que eu perdesse de vista
toda a melodia que tinha decorado
e guardado nas minhas mãos
pra soltar perto dos teus ouvidos
e podermos caminhar juntos pela praia
na manhã fria
ouvindo e imaginando nossos ruídos
junto com o som e o toque das águas batendo em nossos pés
a areia afundando
a cada passo que damos
em direção ao infinito
nunca estive tão lúcido
mas nunca mais estarei sóbrio novamente
todo o vento
a interferência
e o tudo de todas as coisas
explodirão
e tu nem ouvirá
tudo se inicia para uma hora acabar
inicia-se então
outro
outra
às vezes nada
ou tudo de novo
teu abraço que passou e voltou em forma de música
poesia
vento
luzes
sonhos
e tudo que não tocamos
mas sentimos
e tudo que não sentimos
mas enxergamos
e se enxergamos
é porque de alguma forma
conseguimos tocar
aqui tudo se anula
pois se torna o que era antes
e o esforço
será em vão
nada mais vale a pena ser pensado e concluido
nada mais vale a pena existir
pois tudo um dia será
pó
chuva
nuvem
papel
toque
nada
o começo do fim que há de vir nunca começou de fato
pois não sabemos e nunca saberemos
se o tempo um dia
existiu
ou existirá