Anthony Gama
Aug 9, 2017 · 1 min read

viajando entre os espaços atômicos

que se abriram no meu cérebro

após passar por debaixo do túnel

que ligavam o trajeto dos nossos olhares

e fez com que eu perdesse de vista

toda a melodia que tinha decorado

e guardado nas minhas mãos

pra soltar perto dos teus ouvidos

e podermos caminhar juntos pela praia

na manhã fria

ouvindo e imaginando nossos ruídos

junto com o som e o toque das águas batendo em nossos pés

a areia afundando

a cada passo que damos

em direção ao infinito

nunca estive tão lúcido

mas nunca mais estarei sóbrio novamente

todo o vento

a interferência

e o tudo de todas as coisas

explodirão

e tu nem ouvirá

tudo se inicia para uma hora acabar

inicia-se então

outro

outra

às vezes nada

ou tudo de novo

teu abraço que passou e voltou em forma de música

poesia

vento

luzes

sonhos

e tudo que não tocamos

mas sentimos

e tudo que não sentimos

mas enxergamos

e se enxergamos

é porque de alguma forma

conseguimos tocar

aqui tudo se anula

pois se torna o que era antes

e o esforço

será em vão

nada mais vale a pena ser pensado e concluido

nada mais vale a pena existir

pois tudo um dia será

chuva

nuvem

papel

toque

nada

o começo do fim que há de vir nunca começou de fato

pois não sabemos e nunca saberemos

se o tempo um dia

existiu

ou existirá