Oi Pedro, valeu pelo artigo. Mesmo que breve, traz de volta esse debate que eu acho tão legal e importante, especialmente pelas implicações práticas.
Bem, pode ser meu instinto de professor falando aqui, mas eu senti falta de fontes que apontem quem cometeu estes espantalhos que você enunciou e, principalmente, o que estas pessoas estavam querendo dizer quando afirmaram isso. Em nenhum dos “espantalhos” nós ficamos sabendo quem disse, onde disse, e o que ele quis dizer.
Por exemplo, você apontou o espantalho “eles são arianos/semi-arianos”. Quem afirmou isso? E, quando esta pessoa afirmou, o que ela queria dizer?
Francamente, eu sei quem disse isso e o que ele queria dizer. Mas se você não referencia, você corre o risco de criar um espantalho do espantalho!
E, de fato, foi isso que ocorreu, pelo menos no primeiro caso. Quando se acusa um gradacionista de ser semi-ariano, o que está se querendo dizer é que, consciente ou inconscientemente, o gradacionista está dando uma propriedade eterna ao Filho, o da submissão. Se é eterna, então faz parte de quem o Filho é e faz parte do que o Pai não é. Porém, afirmar propriedades diferentes eternas na Trindade é QUASE que colocar o Filho como essencialmente distinto do Pai. Para um igualitarista, dizer que a distinção é no relacionamento, simplesmente não funciona, pois o gradacionista fala que o Pai É o Pai e o Filho É o Filho. Ou seja, a submissão é parte da natureza de ser o Filho e, portanto, é essencial.
Assim, ao tentar chamar este argumento de “espantalho”, você simplesmente descreve parte do pensamento ariano e diz “ Os grandes defensores da visão gradacionista estão longe desses pontos arianos.”. Porém, de forma alguma os igualitaristas acusam os gradacionistas de defenderem estes pontos arianos. Assim, você fez um espantalho do espantalho.
Outra crítica que faço é quanto aos outros dois “espantalhos”. Bem, e aqui vai uma reflexão “Quando podemos chamar um argumento de espantalho?”.
Veja bem um exemplo:
- No calvinismo, Deus é um Tirano maldoso, que criou pessoas para ir para o inferno.
- O calvinismo afirma a soberania absoluta de Deus sobre todos, o que leva a conclusão que ele decidiu quem vai para o céu e para o inferno.
Qual das duas afirmações acima pode-se dizer que foi um espantalho? Obviamente a afirmação 1. Já a afirmação 2 é uma afirmação legítima, pois ela está criticando o calvinismo pelas conclusões lógicas e as implicações de suas ideias.
No caso do seu texto, dizer que os gradacionistas estão contra Agostinho não é um espantalho, é uma afirmação legítima. Muito embora Agostinho não lidou com isso diretamente, como você colocou, mas, EM MUITOS MOMENTOS, ele pareceu indicar que não cria em uma submissão eterna do Filho. Ele não parecia atrelar o papel de Filho a um estado de submissão eterna. Então, porque dizer que o gradacionista está contra Agostinho é um espantalho?
O mesmo se aplica à crítica dos credos…
Enfim, eu realmente sinto falta de referências para entender quem são os promotores do “espantalho brasileiro”.
Creio que você fez muito bem em citar estes nomes que confirmam o gradacionismo como um posicionamento legítimo e não-herético.
Para finalizar, deixo aos leitores um alerta: as acusações estão de todos os lados. Enquanto Erickson acusa os gradacionistas de semiarianismo (em Who’s Tampering with the Trinity?), Grudem acusa os igualitarianos de modalistas ( https://www.youtube.com/watch?v=ySFrG3mOp5o).
Não que o Pedro tenha negado isso, mas é importante frisar que críticas desta natureza fazem parte do debate.
Valeu Pedrão. Obrigado pela oportunidade.