Eleições para Reitor da UFG:

o perigo de sermos uma Universidade epistemologicamente democrática, mas politicamente fascista

FOTO: Internet

Em uma roda de conversa aqui na UFG intitulada “Universidade Pública, Diversidade e a Luta Antirracista”, a Ex-ministra e professora Drª Nilma Lino Gomes da Universidade Federal de Minas Gerais — UFMG chamou a atenção de todas e todos que lotaram o auditório da Faculdade de Informação e Comunicação para o grande risco que a comunidade acadêmica no Brasil corre em se transformarem em um espaço epistemologicamente democrático, mas politicamente fascista.

Essa ameça pode se concretizar nos projetos de candidatos que são de partidos políticos de centro e que publicamente se apresentam como se fossem de esquerda. Vale ressaltar que estes candidatos constituem nas instituições, uma oligarquia; um coronelismo e que dentro dessa conjuntura política brasileira, representam uma ameaça às conquistas de políticas sociais que obtivemos até agora. Uma das questões preocupante também, são os ativistas da esquerda que dizem lutar por uma agenda emancipatória, mas apoiam essa autarquia universitária com o discurso que tal candidato quando foi Reitor no passado, expandiu a Universidade, porém isso é pura falácia e demagogia, pois todos nós sabemos que, quem promoveu a expansão das universidades brasileiras foram os programas de políticas educacionais do Governo Lula.

Bem, não vou aqui analisar as incoerências e atitudes discrepantes dos militantes de esquerda elitistas, de escritório e reacionários, só quero mesmo transcrever alguns trechos importantes da fala da Nilma para aqueles que não estiveram presentes e ainda não assistiram o vídeo de registro da transmissão da roda de conversa que foi feita ao vivo pela Magnífica Mundi — FIC.

A Ex-Ministra diz:

Nesse momento de maior reconhecimento da diversidade e até mesmo porque se tem o maior reconhecimento da diversidade é que as forças conservadoras agem também de forma a interromper e colocar empecilhos em caminhos que podem ajudar nessa expansão ou nessa emancipação da diversidade. Até mesmo por isso, nós temos que ser muito prudentes nessas lutas cotidianas.
Vamos ter que construir aqui no Brasil cada vez mais elos e eixos de ação comum entre nós nas lutas emancipatórias sem perder as nossas identidades. Como que nós vamos continuar lutando por emancipação social, produzindo conhecimento emancipatório — esse é o papel da Universidade? Mas como que nós vamos encontrar aquilo que são eixos comum dessas lutas sem abrir mãos das nossas especificidades? Se nesse momento não conseguimos fazer trabalhos mais comuns, respeitando essas especificidades, nós vamos ser presas fáceis para essa onda que está aí porque ela conta com a divisão, ela conta que a gente não se entende bem entre nós. E, isso eu falo para vocês tendo vivido dentro do próprio executivo, tendo que me relacionar com o legislativo e compreendendo um pouco essas lógicas que são muito distantes das nossas de movimentos sociais, de Sindicatos; é muito diferente!
Uma outra questão que eu queria abordar na minha fala, de compartilhar com vocês nesse contexto que nós estamos vivendo, é que, se tem uma coisa que eu acho que as forças conservadoras nunca contam, nunca sabem como lidar com ela, é com as nossas estratégias de enfrentamento. Então, também nós estamos no momento de construir outras estratégias, mas nas lutas nós temos que ser espertos, não é mesmo? Se a gente tem um outro contexto de opressão, exploração capitalista, de ascensão da direita, etc., nós também temos que construir outras estratégias e isso não pode ser sozinho, a gente tem que está junto para construir isso.
[…] para onde nós vamos focar a nossa atenção, gente? Eu falo isso com um espelho na minha frente… Vamos fazer um exercício nesse momento para que a gente não foque o nosso olhar só nos retrocesso. A gente tem que conhecer esses retrocessos, saber deles, e saber lutar contra eles, mas não esqueçam das nossas lutas e conquistas por emancipação social. O foco tem que ser dessa emancipação para frente. Nesse período sombrio, como que a gente vai fazer? Não desfoquem desse lugar! Porque se a gente desfocar dessas lutas por emancipação, a gente cai naquilo que os governos autoritários conseguem fazer com muitos de nós: imobilismo!E qual que é o objetivo central disso tudo que eu quero falar para vocês? A minha expectativa - parafraseando o Boaventura de Souza, é que nesse momento do golpe, de tensão no campo do conhecimento […], nós não podemos deixar que a nossa Universidade Pública se contamine a tal ponto que nós passemos a ser Universidades e espaços epistemologicamente democrático, mas politicamente fascista.

Segue link do vídeo: Universidade Pública, Diversidade e a Luta Antirracista

https://www.youtube.com/watch?v=AuXjRimn8vY

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