saudade que não cresce

Minha irmã postou esses dias uma foto da nossa família toda reunida, comentando “…e a saudade só aumenta”, referindo-se, claro, às ausências de meu pai e minha mãe entre nós.

Fiquei incomodado logo de cara: de repente percebi que não tenho saudade deles. Isso me fez ter primeiro um sentimento de culpa e depois, eis que estou aqui escrevendo sobre isso.

Acho que a saudade bate de quem a gente sabe que pode ver logo ali, dobrando a esquina ou pegando um avião em Guarulhos. No caso dos meus pais, isso não é possível por razões óbvias. E é esta obviedade que me faz não ter saudades deles: não há um dia em que uma memória de uma e de outro não surjam.

Assim, esteja eu dobrando a esquina ou fazendo um check-in em Guarulhos, eles estão ali comigo. Comprando um pão italiano que o meu pai gostava ou um salaminho que era o que minha mãe curtia, sei que eles estão comigo. E estão juntos abençoando quando vamos saciar o apetite com pão e salaminho.

Enfim… Sei que eles estão com minha irmã também. E entendo o sentimento dela. E por isso, parei pra pensar um pouco sobre qual é o meu sentimento. No fim, isso foi o melhor de tudo.

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