Quanto sua credibilidade vale no mercado?

Muitos empreendedores de pequenas empresas de base tecnológica chegam à conclusão que o dinheiro para iniciar os seus negócios deve ser custeado por eles mesmos (seja com o auxílio de familiares ou por economias realizadas por eles mesmos durante anos) e que por um longo período inicial (de dois a quatro anos) necessitam ser amparados por trabalhos paralelos (remuneração fora da empresa), o que dificulta disponibilizar um maior tempo para empresa priorizando possíveis desenvolvimentos e prestação de serviços que gerariam a possibilidade de crescimento da mesma.

Outro fato que acaba surgindo é a dificuldade desses líderes de gerenciarem seus negócios, haja vista que a grande maioria desses empreendedores é proveniente de áreas técnicas (engenharia, computação, biologia, etc) e pouco conhece da gestão administrativa e estratégia de negócio envolvida para que o empreendimento tenha sucesso. Por sinal, a falta de habilidade de seus líderes nesta área é que ocasiona o fechamento de boa parte dessas pequenas empresas tecnológicas antes dos dois anos de existência. O mercado é implacável com que não tem o conhecimento para se manter nele, e pelo pouco tempo que estes empreendimentos permanecem abertos, acaba não dando tempo aos seus líderes de obterem experiência suficiente para aprender a gerenciar o negócio com sucesso.

“Devemos definir quem nós somos e o que fazemos bem. Esta é a essência da estratégia.” Michael Porter

Como muitos empreendedores não possuem um capital inicial para criar as suas empresas, recorrem a amigos, colegas ou conhecidos, para que juntos, formem uma sociedade e arquem com o custo fixo e com pequenos investimentos junto à pequena empresa, até que a mesma consiga gerar lucros. Nessa fase, o empreendedor pode estar cometendo seu maior erro, nem sempre o melhor amigo é a pessoa indicada para se tornar seu sócio. Por sinal, em muitos casos, ocorre uma situação inversa, o amigo muitas vezes não tem determinada competência ou uma visão clara dos desafios que envolvem a criação de uma pequena empresa de base tecnológica.

Essa situação pode gerar conflitos internos entre os sócios e, em muitos casos, para evitar a depreciação da amizade acaba-se tomando decisões com a completa falta de profissionalismo. Para se iniciar uma pequena empresa, os sócios devem possuir habilidades técnicas diferentes, caso todos os sócios possuam apenas a habilidade técnica para desenvolvimento, a empresa corre sério risco de não ter sucesso, se um dos colaboradores não possuir a habilidade para realizar negócios e alianças, ou mesmo administrar corretamente, a parte financeira e jurídica da empresa. É necessário que pelo menos um dos colaboradores tenha uma visão estratégica e de negócios da área de atuação da empresa e conheça ferramentas para realizar inteligência de mercado e estudar a viabilidade econômica de projetos e serviços.

“Boas empresas atendem necessidades, empresas excepcionais criam mercados.” Philip Kotler

Outro fator que dificulta os primeiros passos da pequena empresa tecnológica no País é o mercado restrito (nicho de mercado) que ela pode atuar. Como não possui investimentos de grande porte por um período mínimo adequado (quatro a sete anos), não consegue o tempo necessário que permita a evolução das habilidades técnicas e administrativas da equipe para diversificar, desenvolver e comercializar projetos e serviços com alto valor agregado. Com pouco investimento, é possível apenas pesquisar e desenvolver por um curto período de tempo, pequenos projetos com baixo valor agregado e que atua em apenas um nicho mercadológico sem chances de expansão. Além disso, o pouco dinheiro obtido com as vendas é reinvestido na empresa para cobrir o seu custo fixo (salários, aluguel, telefone, internet, etc.). Sem um volume adequado de dinheiro investido na empresa, pouco é possível fazer para quebrar o círculo vicioso que permeia o ambiente tecnológico.

“Ninguém descobre terras novas se não estiver disposto a perder de vista a costa por muito tempo.” André Gide

Como não existe o dinheiro para manter um pessoal qualificado, e adquirir material e equipamentos para desenvolver projetos com maior valor agregado (projetos e produtos que necessitam maior tempo de maturação), o pequeno empresário não consegue diversificar e nem sofisticar seus serviços e produtos. Para quebrar este círculo, o empresário teria que expandir as vendas dos serviços e produtos que já possui em seu portfólio, para aumentar o faturamento da empresa e assim, obter o dinheiro para investir na empresa. Porém, para isto precisaria possuir uma estrutura de vendas e de marketing para viabilizar essa estratégia.

Lembrando que como se trata de tecnologia, a dificuldade de inserção da marca e do produto no mercado competitivo é mais cara pois seu público alvo é mais sofisticado e restrito. Por isto, existe uma grande necessidade de se fazer um trabalho de relações públicas (acesso à mídia e aos canais de divulgação — físico e digital) adequado para auxiliar na consolidação da marca junto ao mercado consumidor. Lembrando que divulgar de forma orquestrada os bons resultados de sua pequena empresa é fundamental para o buzzmarketing acontecer positivamente. Desde de sempre a melhor propaganda ainda é um cliente satisfeito divulgando sua competência.

Por fim, uma frase para reflexão escrita por Lewis Carrol e retirada do seu livro “Alice no país das maravilhas”. Para que entenda que sua credibilidade não esta somente na questão se você é honesto e ético. Está se você realmente sabe para onde está indo!!!

“Pode dizer-me que caminho devo tomar? Pergunta Alice. Isso vai depender do lugar para onde quer ir. Responde o gato. Não tenho destino certo. Disse Alice. Nesse caso, qualquer caminho serve. Disse o gato.”

Sucesso a todos!