Você tem certeza que quer empreender no Brasil?

Existe um princípio básico que norteia três importantes pontos que devem ser considerados quando se pretende criar uma empresa é seu foco ou nicho de mercado, isto é, ter definido bem o produto ou serviço que será oferecido. Para isto, deve-se conhecer o mercado que pretende atuar para saber onde estão seus clientes, de que forma alcançá-los, quanto cobrar para se manter competitivo e superar a concorrência.

“Quando sopram os ventos da mudança, alguns constroem abrigos e se colocam a salvo; outros constroem moinhos e ficam ricos.” Claus Möller

O segundo ponto é o capital inicial para dar início ao empreendimento e, posteriormente, o capital de giro para que a empresa pague seu custo fixo (aluguel, salários, telefone, etc.) e tenha dinheiro suficiente para gerar negócios (confeccionar material publicitário, custos com visitas de negócios, etc.). E por fim, possuir uma equipe competente tecnicamente para desenvolver os projetos e realizar os serviços contratados; e pessoas de confiança e com conhecimento suficiente para realizar a administração operacional e estratégica da empresa. Nessa administração estratégica está incluída a forma com que a empresa pretende gerar seus próprios negócios, seja por meio de parcerias ou da criação de um grupo interno de executivos de negócios que irão captar clientes no mercado.

Para a pequena empresa de tecnologia que está iniciando suas atividades, possuir estes três pontos ao mesmo tempo é uma tarefa muito difícil. Muitas vezes, existe a ideia do produto ou serviço, mas como é inovador, não foi testada sua aceitação no mercado. Mensurar um mercado e definir um nicho de atuação ainda pouco explorado requer um pessoal com uma competência em estratégia de negociação e inteligência de mercado. O desafio neste caso é validar um produto ou serviço, porém para isto, precisa-se de um mínimo de investimento sem garantia de retorno.

Esta situação acaba assustando, os empreendedores pouco confiantes e os possíveis investidores para o seed capital (capital semente responsável por dar início ao empreendimento). Este fato ocasiona a dificuldade de manter um capital de giro adequado para permitir o crescimento da pequena empresa. E sem dinheiro, praticamente inviabiliza contratar uma equipe técnica de boa qualidade e experiência para enfrentar os desafios tecnológicos que um produto ou serviço inovador requer. Por isto, boa parte das pequenas empresas de base tecnológica inicia suas atividades mais baseadas no desejo pessoal do empreendedor ou empreendedores que se uniram para fundar a empresa, do que em uma estratégia sólida de negócios. É por isto que ao longo dos meses e dos primeiros anos ocorrem os insucessos que ocasionam o fechamento dessa empresa.

“O rio atinge seu objetivo porque aprendeu a desviar dos obstáculos”

Muito desses insucessos, também está relacionada à habilidade técnica do empreendedor ou empreendedores fundadores da empresa. A grande maioria pertence à área de exatas (engenharias, computação, física, etc.) com pouco ou nenhum conhecimento de como administrar um empreendimento (financeiro, jurídico, etc.) e elaborar estratégias competitivas de negociação (vendas, marketing, inteligência de mercado, etc.). Esta falta de habilidade atrelada a dificuldade de coordenar pessoas e gerir projetos com riscos tecnológicos são os elementos que contribuem para uma sequência de tomadas de decisões erradas que acabam por inviabilizar a pequena empresa. Criar uma empresa tecnológica requer diversas habilidades em conjunto. É necessário tanto o conhecimento técnico, quanto uma desenvoltura para gerar parcerias e negócios, além de bons conhecimentos administrativos.

Caso os empreendedores sejam jovens sem experiência com formação na área de exatas, e tencionam aumentar as chances de sucesso da empresa que acabaram de fundar, os mesmos precisam suprir a deficiência administrativa, aproximando-se de outros jovens empreendedores com formação na área de administração, economia, etc. buscando parcerias ou sociedades. Outra possibilidade é ter entre os sócios, um colaborador mais experiente que já tenha trabalhado no mercado que pretendem atuar, e que por isto conhece os concorrentes e possíveis contatos comerciais que podem se tornar os primeiros clientes da empresa. Sempre é bom lembrar que mais um sócio na empresa, é mais um para opinar e tomar decisões. Dessa forma, um dos principais pré-requisitos para ser um sócio deve ser sua competência e suas habilidades agregadas as suas características pessoais. Como salientado anteriormente, nem sempre o melhor amigo ou um parente próximo será um sócio competente.

E vale sempre a sina… Digas com quem andas, e eu digo, quem tu és.

Sucesso a todos!