Você quer ser dono de empresa? Por que?

É fato que a grande maioria das pequenas empresas de tecnologia, atualmente confundidas por algumas pessoas, como startups, surgem da necessidade de algum parente, amigo ou conhecido do fundador ou de um dos fundadores que pede para desenvolver um pequeno projeto ou uma solução, e que, a princípio, não possui capital suficiente para contratar uma empresa formal. Então, este “cliente” recorre ao futuro empreendedor que lhe desenvolverá o projeto ou a solução informalmente, com pagamento, quase sempre, sem nota fiscal (para abaixar os custos). Caso o projeto tenha necessidade de mais mão-de-obra além do próprio empreendedor, normalmente, este convida seus colegas da faculdade para ajudá-lo e assim todos lucrarem monetariamente com o projeto.

Com o sucesso dos primeiros trabalhos (dois ou três), estes colegas ganham confiança e decidem fundar uma empresa, contudo sem atentarem para que quando se tornam formais (emitem nota fiscal, possui endereço comercial, etc.), o custo fixo aumenta, e por não possuírem estrutura de negócios, rede de contatos, etc. acabam tendo dificuldades de manterem a empresa. Além disso, existe um agravante quando o da empresa são serviços especializados na área de tecnologia, pois o custo de divulgação e as habilidades para negociação desse tipo de negócio, são elevados e requerem experiência por parte dos fundadores da empresa. No início da pequena empresa, as principais habilidades devem ser supridas pelos seus donos, haja vista que é inviável a contratação de algum colaborador experiente. Para isto, seria necessário um investimento financeiro alto nos primeiros meses sem um retorno no curto prazo.

“O futuro tem muitos nomes: para os fracos, ele é inatingível; para os temerosos, ele é desconhecido; para os corajosos, ele é a chance” Vitor Hugo

Todas estas informações anteriores são para apresentar um fato importante. De que muitos empreendedores que desejam fundar uma empresa de base tecnológica no Brasil são despreparados e equivocados. Possuem miopia em negociação e não compreendem que atualmente, o mercado tecnológico é muito competitivo e que histórias de antigos empreendedores brasileiros donos de empresa que venceram no país sem estudo e contando apenas com força de vontade (trabalho duro de sol a sol) e a experiência adquirida com o passar dos anos estão cada vez mais raros. Basta observar por exemplo, quantas empresas de automação estão espalhadas por todo o país, principalmente na região Sudeste e Sul. Trabalhar duro, várias horas por dia, sete dias por semana, não é sinônimo de sucesso. Existe a necessidade de realmente entender o mercado que deseja atuar e ter conhecimento técnico necessário para desenvolver produtos e serviços que o cliente deseja. Para muitos fundadores de pequena empresa, a tomada de decisão é baseada no “achismo” (eu acho que deve ser tal produto… eu acho que deve ter tal coisa…, etc.). Este amadorismo impossibilita criar uma pequena empresa competitiva.

Para mudar este quadro, é importante que os empreendedores brasileiros se conscientizem da necessidade de estudo mais aprofundado em áreas básicas da administração e da convivência com pessoas mais experientes. Uma forma de obter maior conhecimento é participando de cursos de aprimoramento (cursos de curta ou média duração oferecidos por entidades como, por exemplo, o SEBRAE) ou pós-graduação em áreas administrativas (especialização de longa duração). Com relação à convivência, é muito importante a realização de vários estágios de média duração em empresas (pelo menos seis meses) ou mesmo ter sido funcionário por alguns anos (pelo menos dois anos) de uma empresa para adquirir experiência, compreender a estrutura organizacional e entender o que é trabalhar sob pressão. Quem nunca foi empregado e foi liderado no passado, dificilmente saberá liderar corretamente no presente. Para ser um bom líder, necessariamente o indivíduo deve entender aspectos psicológicos de seus liderados. A única forma de possuir esta compreensão é ter sido um. Para muitas pequenas empresas, a primeira e principal barreira para permitir o seu crescimento é a falta de habilidade, experiência e visão de seus donos.

“O rio atinge seu objetivo porque aprendeu a desviar dos obstáculos”

Por isto, ao optar por ser dono de empresa, além do risco de empreender em um ambiente austero, a pessoa deve compreender que passará boa parte da empreitada como o alicerce principal do negócio. Precisa estar preparado para sofrer uma grande pressão psicológica e possuir um desejo de aprender constantemente, além, é claro, de humildade para aceitar o erro e refazer o que não deu certo. Sucesso na sua empreitada !!

“É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glória, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta, que não conhece vitória nem derrota” T. Roosevelt (ex-presidente dos EUA)