Três é Dez

Três é o número preferido das pessoas, basta olhar ao redor. Os Três Reis Magos. Os Três Patetas. Os três Beatles. Pasta de dente sempre vem com três superpoderes. Máxima proteção anti-cáries, hálito fresco, dentes muito mais brancos (deveria ser “muito menos amarelos”, já que só existe um tom de branco).

Contatos Imediatos do Terceiro Grau. As Três Marias. É como se fosse um número mágico. Um é bom, dois é médio, três é dez. O Poderoso Chefão tem três partes. De Volta Para o Futuro tem três partes. O corpo humano também tem três partes — cabeça, tronco e membranas. Sim e não têm três letras cada; somando e dividindo por dois o resultado é… três letras. Legal é legal. Bilegal? Interessante. Mas trilegal é.

Tripas — tri-pas. Triste — tri-ste. Tricô — tri-cô.

Um mês tem trinta dias (dez vezes três). Mas só porque houve um consenso de que três dias seria um mês muito curtinho. São três estações no ano (o verão foi elevado à categoria de calamidade). Três tristes tigres trigo comiam. Michelangelo, contrariando a noção popular, levou apenas três dias para concluir a maior obra-prima da Alta Renascença — mas ele pintou sobre vários A4 e levou cinco anos para colar todas as folhas no teto da Capela Sistina (ninguém quis ajudá-lo). Van Gogh tinha três desejos em vida: vender um quadro; beijar uma mulher; morrer.

As cores primárias são três. Um acorde é composto por três notas — se tem mais do que isso, é banalidade ou erro. Os Três Mosqueteiros. As três leis de Newton*. Tridente. Tribunal. Trilho. Trigonometria. O que seria do cinema, não fosse pelo tripé? O tricerátopo será sempre o melhor dinossauro, mesmo que tenha sido forjado por um paleontólogo de botequim a partir dos fósseis de seu bisavô, o célebre Um Dois Três de Oliveira Quatro.

* Não matarás; não roubarás; continuarás em linha reta infinitamente até que o atrito ou A Força tomem alguma providência.