
E sobre a falta de reciprocidade. . .
Vou começar pela etimologia da palavra “recíproco”: vem do latim RECIPROCUS que significa “alternante, respondendo da mesma maneira, mútuo”. Ultimamente sempre que vejo reclamações sobre a falta de reciprocidade geralmente se referem à troca interpessoal nos relacionamentos afetivos. A maioria das pessoas quando se acostumam à bondade perdem o senso de reciprocidade e gratidão. Isso me remete a uma entrevista do Flávio Gikovate onde ele dizia que grande parte dos casamentos que se desfaziam eram da união entre GENEROSOS(AS) X EGOÍSTAS. Apesar de opostos, e na ilusão que estariam se “complementando”, inicialmente um era atraído ao outro porque essa união reforçaria ainda mais as características de cada um: o generoso se tornaria mais generoso para “alimentar” o insaciável egoísta que também se tornaria mais egoísta. Ledo engano! Essa suposta “complementação” acaba por exaurir o generoso(a), que cansa de tanto dar e nada receber, a ponto dele(a) tomar o partido de romper o relacionamento. E na maioria dos casos o generoso(a) se apaixona por outro(a) pessoa generosa e põe fim ao relacionamento anterior. Mas aí vem a pergunta: E vai dar certo? As chances de “sim” são muitos grandes porque um casal de generosos se retroalimentam afetivamente o que os tornam cada vez mais fortes e resistentes às intempéries da vida em comum. Mas. . . e os egoístas? Sobreviverão mas lhes será difícil encontrar o verdadeiro amor. Jamais se uniriam a um outro egoísta porque, nesse caso, não haverá ninguém para alimentar o “buraco negro” que trazem na alma. Sobreviverão sim, mas no poço da secura afetiva, do vazio existencial que permeia sua existência.
A melhor forma de encontrar nossa(as) “Almas Gêmeas”, que não significa “iguais”, sejam para amizades ou relacionamentos, é sermos quem somos, seguirmos nossos sonhos e nossas aspirações. Com certeza encontraremos outros no caminho e as chances de relações interpessoais harmoniosas, serão bem maiores.
