a visita dele.

Eu mal dormi, confesso. Eram quase 3 da manhã quando escutei o taxi parar na porta do meu prédio. Olhei da janela do quarto e tive a certeza de que era ele chegando. Meu coração estava tão acelerado que parecia que ia explodir, bem me lembrou aqueles tempos em que nos encontrávamos na hora do almoço no início do nosso namoro.

Pensei em abrir a porta da sala e esperar no corredor, para que assim que ele saísse do elevador soubesse pra que lado ir. Foi o que fiz.

Não dá para explicar a sensação. Eu recebia, pela primeira vez, o cara que eu amo, no meu apartamento! O apartamento que ele tanto ouviu falar sobre, que acompanhou cada detalhe.

Eu queria que ele visse tudo, que falasse sobre os quadros na parede e sobre a disposição da sala. Queria que minha cozinha fosse confortavelmente boa para ele pensar nos pratos que iria cozinhar ali. Eu sempre peço a opinião dele, sempre!

Naquele momento, ele sabia que um dos meus sonhos tinha se concretizado. Ele sabe de todos os meus sonhos.

André foi estudar em São Paulo e eu vim trabalhar no Rio de Janeiro. Lembro de quando conversamos sobre isso, sobre mudanças. Foi algo tão natural, irmos atrás dos nossos sonhos, mesmo que distantes um do outro, para que logo mais pudéssemos seguir um único caminho, juntos.

Ele chegou na sexta, bom, na verdade já era sábado e naquele final de semana seria a comemoração dos nossos quatro anos de namoro. Quatro anos!

Eu e André, desde que começamos a namorar, não deixamos de nos escrever, seja no dia do nosso aniversário de namoro, dia dos namorados, natal e até na páscoa, porque não? Cartão, folha de caderno, post-it, qualquer pedaço de papel que coubesse uma dessas tantas declarações de amor. Todo dia 17, religiosamente, agradecemos. Acho incrível mantermos isso até hoje. Sempre existe algo pra ser dito.

Foi nessa sexta-já-sábado, que ele disse que tinha um presente. Fechei os olhos, juntei as mãos e ele ajeitou, ali naquele meio, um livro. Foi aí que abri os olhos, não tão devagar, e quando li a capa só tive uma certeza: como eu amo esse cara!

Era um livro de poesia. Dá pra acreditar? Um livro-de-poesia escrito todinho por ele, sobre nós dois. A cada página que eu lia, me debulhava em lágrima, mesmo. Eu lia uma palavra e chorava, outra e chorava. Chorei bastante, confesso. Foi de felicidade.

André escreve incrivelmente bem. E sou, oficialmente, fã de tudo que ele faz.

Naquele final de semana reafirmamos algumas certezas e fortalecemos ainda mais o amor que sentimos.

Passou tão rápido. A única coisa que eu queria naquele domingo era perder as chaves da porta da sala, dizer pra ele ficar, que perto, bem perto de mim, é o lugar dele. Mas, ele foi. Ele tinha que ir.

Depois que fechei a porta, corri para a janela do quarto, só queria dizer pra ele se cuidar. Usa blusa de frio, cuidado com o celular dentro do metrô, bebe muita água, faça uma boa viagem, e não esquece que te amo. Essas coisas, essas tantas coisas que digo pra ele sempre. Chorei outra vez. Chorei bem naquele fim de domingo.

Bom, por agora temos alguns finais de semana, mas logo, teremos uma vida inteira. Logo ele volta.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.