
O que Cannes tentou nos dizer.
Cannes Lions 2017 deixou algumas dicas de como a publicidade esteve caminhando no último ano, e descobriu alguns vestígios de como caminhará para o próximo. O fato é que o mundo da publicidade anda mais conectado com o mundo real do que alguns possam imaginar, quanto mais criativa é a ideia, mais conectada com a essência do mundo real ela é, isso também inclui os problemas.
O apelo humanista, sentimental e empoderado que Cannes Lions deixou como mensagem esse ano, esclarece sobre a delicadeza contextual que o mundo atravessa: os maiores cases premiados estavam ligados a vida das pessoas, não apenas a produtos e suas características e isso tende a refletir nos trabalhos que as marcas farão a partir dele.
Grandes exemplos disso, são os cases abaixo:
“Fearless Girl”: GP de Titanium, PR, Glass e Outdoor;
“The Superhumans”: GP de Film;
“The Family Way”: GP de Mobile;
“Boost your Voice”: GP de Promo Activation e Integrated;
“Refugee Nation”: GP for Good;
“The Unusual Football Field”: GP de Design;
“Confete”: Bronze Lion de Design;
“Google Home of the Whopper”: GP de Direct;
“KFC Repeat the Punchline”: GP de Rádio;
“Bedtime Storytellers”: Silver Lion de Print & Publishing;
“Music Transplants”: Silver Lion de Radio;
“Like My Adctions”: 19 Leões (5 Gold, 9 Silver, 4 Bronze) em 6 categories (Cyber, Direct, Media, Mobile, Promo, and PR).
A maioria dos cases premiados com a “graça maior” pelo festival, tiveram seus insights a partir de um comportamento típico do século passado, mas que ainda assombram nossa sociedade: preconceito, exclusão e impessoalidade.
Vem cá, esses insights são tão fortes assim para produzir ideias a ponto de fazer um strike no maior festival de publicidade que conhecemos, hãn? Tente ver através do espelho: Amparados pela força dos insights, me lembro do que Dan Pink chamou de “novo sistema operacional do século XXI” para os negócios, para as pessoas e claro para a publicidade — é algo que se sustenta intrinsecamente entre três elementos: Autonomia, domínio e propósito.
Autonomia: o desejo de direcionar nossas próprias vidas. Domínio: o desejo de melhorar cada vez mais, fazendo algo que importa. Propósito: o desejo de fazer o que fazemos, para que sirva a algo maior que nós mesmos. — Espero que isso tenha deixado um pouco mais claro.
O gerenciamento deu lugar ao engajamento e a conformidade ao auto-direcionamento. As pessoas funcionam melhor assim. Não há saída. O mundo não é só lucro. O mundo está dizendo, inclusive a publicidade.
Mais de 50% da receita do Google vem de projetos que nasceram fora do expediente. Existe empresas que não possuem horário de trabalho. Tipo, chegue quando der.
Bem, é isso que está acontecendo no mundo, na política, nas instituições, nas empresas, inclusive com as agências. Mesmo com muita timidez, há pessoas tentando mudar o mundo para melhor. Então tente. Essa é a mensagem.