E se no final das contas o que a vida te reservar for ser extraordinariamente comum?

Se no final do dia você descobrir ter uma inteligência mediana, uma beleza comum, receber um salário suficiente para se ter um teto e ter comida na geladeira: não enfiar uma mochila nas costas e viajar o mundo, lugares diferentes, tirar fotos com grupos minoritários para postar nas redes;

Aos finais de semana ficar feliz por comer pizza no sábado à noite com os amigos e assistir ao futebol no domingo;

Ter um trabalho ok, que não tem impacto direto na vida das pessoas, não te torna um salvador, mas pagar suas contas;

Não encontrar um amor que sinta vontade de morrer de imaginar o quanto ama aquela pessoa, ou melhor, até sente isso, vez ou outra, mas o que prevalece é só um quentinho ameno do lado dela e um amor sereno.

E se você for ordinariamente comum em um mundo onde as outras pessoas também são ordinariamente comuns, mas exigem uns dos outros que sejamos extraordinários?

E se vocês descobrir que a vida é tédio, tédio, tédio, pico de alegria, tristeza e tédio, tédio, tédio… que podem se passar 10 anos se vivendo a mesma vida e em apenas 1 ela pode virar de cabeça para baixo?

O que vamos fazer quando descobrirmos que é disso que a vida se trata: ir buscar pão na padaria de chinelos numa tarde e ficar feliz porque chegou a tempo deles ainda estarem quentinhos e poder sentir a deliciosa sensação única da manteiga derretida direto no pão?

Você talvez nunca tenha uma Chanel, nunca ganhe um prêmio que reconheça os seus pseudos conhecimentos acadêmicos, só vai ficar feliz com o pão quentinho.

A vida real não é tão extraordinária quanto pintamos no quadro da vida virtual. E eu falo para vocês, querendo falar para mim que é ok ser ordinariamente comum. É ok não ser o mais inteligente, bonito, culto, diferente, aventureiro. É deliciosamente ok ser comum. Que a gente consiga sorrir disso.