Tudo bem

Fins muitas vezes são melancólicos. Acredito que se possa dizer até que na maioria das vezes são pois, como se sabe, quase tudo termina em derrota. E o fim do ano do Inter não é diferente. E aqui pouco importa o resultado do Gre-Nal, a apresentação medíocre, a insanidade de Lomba. O 2019 colorado findou contra o Athletico-PR. Findou melancólico.
Vivendo agora sob vaias e desconfianças mil, há pouco tempo o Inter esteve perto do céu. Uma vitória nos separava de novamente vencer um título nacional e garantir a vaga na Libertadores 2020. Tudo que viesse nos dias que se seguiriam seria bobagem, cumprir protocolo. O que se viu foi uma das apresentações mais desanimadoras que o Inter já teve. Na história. Mas tudo poderia não ser tão horrível se fosse só um ponto fora da curva, um jogo em que as coisas não tivessem encaixado, talvez o time ainda não preparado sentindo o peso da final. Era, porém, a apresentação do Inter que sobrara para os últimos dias do ano: uma equipe já de férias tendo muito ainda pela frente. O que se seguiu foram jogos cada vez mais deprimentes, em que nada lembra o time que um dia nos fez pensar em vencer títulos este ano e que, eu acreditava, merecia levar ao menos uma taça para casa em 2019. A culpa era de Odair, decidiram. Veio um Zé Ricardo e a diferença foi nula. Já não se joga futebol no Inter e o que aparenta é que nos corredores do Beira-Rio isso não é problema. Que está tudo bem, conforme o planejado.
Claro, é difícil prever o futuro e ser taxativo antes das coisas terminarem. Mas também é muito confortável só dar a opinião quando a história já foi feita. E, sinceramente, alguém espera uma surpreendente mudança do Inter tornando-se um time forte nas últimas rodadas? É possível confiar no técnico tampão que arranjaram? Teria sido realmente pior manter Papito até o final da temporada? Hoje vemos um time que se esforça para sair logo do campo. Em outro enfrentamento com o Athletico-PR, este último pelo Brasileirão, a sensação era de que os jogadores estavam ali contrariados, jogando como se estivessem emburrados. E, para o Inter, tudo bem. O desempenho no Gre-Nal não surpreendeu a ninguém. Como se fosse Sóbis ou Edenílson a desistir da jogada, o Inter escancara seu fracasso. É mais triste porque mais do que qualidade, falta vontade. E, novamente, para o Inter, tudo bem.
Quem decretou o fim do ano não foi torcedor nenhum, mas a própria equipe.
Mas fins também podem ser renovações. É difícil dizer quando acaba uma era e inicia outra, mas o futebol tem alguns marcadores que podem facilitar isso. No triste final de 2019 pode se esconder também o encerramento de toda uma época fracassada no colorado. Claro, não há atualmente indícios disso, e essa pode ser uma aposta tão furada quanto em outro ano qualquer. Até porque a estrutura do futebol no Internacional parece bem firme, apesar das suas constantes falhas. E de que adianta trazer treinador argentino se a mentalidade continua a mesma? Coudet, se vier, deveria ser o marcador da mudança colorada, em que se muda a ideia de fazer o possível para fazer o melhor, buscar vitórias e, principalmente, trazer novamente a Libertadores. Mas nem sabemos se chegaremos a nos classificar para a competição. E pensar que ela esteve tão próxima, num jogo dentro do Beira-Rio. O último jogo do ano.
Só o Inter poderá dizer se o fim melancólico é prenúncio de mais dias cinzas ou início de novos tempos. Os sinais, porém, indicam que o primeiro é o mais provável. Nestes longos anos, aparentemente tudo que o Inter aprendeu foi que sempre há uma derrota mais dolorosa à espreita. Falta saber se aceitou isso ou não.
