vidas chuvosas e evaporantes
Sinto-me entrando num caldeirão de almas, um hospital que aparenta ser normal mas totalmente estranho para meu ser triste. Um estranho que me limita a pensar em não pensar, em esperar, me limita em ficar parado esperando uma resposta que eu não faço a menor ideia de qual vai ser, mas que é uma resposta, seja solução ou não. Sinto-me vivo, mas ao mesmo tempo morto, pois vejo as vidas se derretendo e se congelando em cápsulas com paredes, que aos gritos se desfazem da fórmula física e se permutam em constelações de ser desejado estar presente. Vivo morrendo, morro vivendo, estralo o pescoço, nervoso, totalmente leigo. As vidas? Continuam chovendo, e evaporando, os desejos se espalham cada vez mais pelos corredores, as luzes, totalmente idênticas, um tom aparentemente sombrio mas ao mesmo tempo iluminado, luz, uma esperança. A dor? Não existe sozinha, ela é coletiva, todo mundo sente. Eu, que achava não sentir, me vi preso em vidas chuvosas evaporantes, sem perceber que antes de achar que estava morto, era na verdade um ser vivo.
