As mulheres em Arquivo X

Eu não sou a melhor das feministas pra se ler. Sou dessas preguiçosas que se formaram na internet sem ter lido pelo menos a Beauvoir e conheço muito pouco da história do movimento. Mas sou dessas que fica puta quando tentam justificar estupros e violência doméstica, porque mulheres têm salários menores que homens pelo mesmo trabalho, porque mulheres morrem em abortos clandestinos, porque não somos donas de nossos corpos e lá se vai uma extensa lista de motivos.

Se vocês querem ler mais sobre as lutas das mulheres, eu recomendo demais que leiam: Lugar de Mulher, Blogueiras Feministas, Blogueiras Negras, Collant Sem Decote, Revista Geni, Think Olga e KD Mulheres. Entre muitos outros.

Aqui eu vou ser a fangirl que eu gosto de ser e mostrar porque eu amo tanto Arquivo X: amo Arquivo X por mostrar quantas mulheres diferentes existem neste mundo e que eu posso ser todas elas quando eu quiser.

Pra começo de conversa: Arquivo X é uma série de televisão que foi ao ar entre 1993 e 2002, com nove temporadas, 200 episódios e dois longa metragens. Dia 24/01/2016, voltará com seis novos espisódios 13 anos após o fim da série. Foi criada por Chris Carter e conta a história de dois agentes do FBI que investigam casos sem solução que envolvem o paranormal e, “nas horas vagas”, investigam uma conspiração governamental para ocultar a existência de extraterrestres entre nós. O agente Fox Mulder é psicólogo e um dos melhores agentes do FBI, mas sua predileção por esses casos bizarros faz com que seja motivo de chacota entre agentes e superiores. A agente Dana Scully é médica, tem doutorado em física e foi designada aos Arquivos X para descreditar o trabalho de Mulder.

Vocês notaram uma quebra de padrão aqui? A mulher é a personagem racional e científica; o homem é o personagem movido pela crença (aliás, pelo desejo de acreditar) no improvável e no misterioso.

Essa simples quebra de paradigma em um programa de televisão foi responsável por um aumento impressionante da presença de mulheres em ciência, tecnologia, engenharia e medicina. O fenômeno é chamado de Scully Effect.

Em uma Comic Con, Gillian Anderson falou sobre isso: “ It was a surprise to me, when I was told that. We got a lot of letters all the time, and I was told quite frequently by girls who were going into the medical world or the science world or the FBI world or other worlds that I reigned, that they were pursuing those pursuits because of the character of Scully. And I said, ‘Yay!’”

Mas Arquivo X não é somente Dana Scully. Há muitas outras mulheres incríveis.

Meu próximo texto será sobre Dra. Anne Simon, consultora científica da série, antes de entrarmos nas histórias de Arquivo X.

Ilustração de Kaol Porfírio no projeto Fight Like a Girl.

Referências:

Less “Big Bang Theory,” More Dana Scully: What It’s Going to Take to Lead More Girls Into Science

The Scully Effect: How “X-Files” Helped Mainstream Women In STEM Careers

Gillian Anderson on “The Scully Effect”