Antes da campanha começar 1
Compreendendo as mecânicas da plataforma APOIA.se — Estratégias interessantes para preparar o seu perfil de criador.
Este artigo apresenta alguns conceitos e estratégias sobre como funcionam as mecânicas da plataforma, juntamente com estratégias para melhor preparar a sua campanha e o seu perfil de criador.
Diferenças em relação a outras formas de financiamento coletivo como o Catarse e Benfeitoria
Muitas pessoas pensam que o APOIA.se é mais uma plataforma de financiamento coletivo semelhante ao Catarse, apesar dos modelos serem bastante diferentes.
Plataformas como Catarse e Benfeitoria são geniais, e trabalham com base no modelo "Tudo ou Nada”: ou se atinge a meta estabelecida ou o projeto não recebe a verba parcialmente arrecadada. Este modelo é extremamente eficaz quando precisamos mobilizar o apoio de um público num período finito de tempo e é particularmente interessante em casos de projetos que dependem de uma verba específica.
A questão é que nem todos os problemas de financiamento são resolvidos com a política do "Tudo ou Nada". Trabalhos de natureza contínua ou projetos cuja concretização não depende de uma grande quantia inicial, mas sim de um desenvolvimento contínuo pelo(s) realizador(es), demandam um financiamento que os acompanhe "ao longo da caminhada", isto é, a longo prazo.
Por isso, enquanto no modelo do "Tudo ou Nada" a meta estipulada precisa ser atingida dentro de uma janela de tempo para que o realizador receba o financiamento, no APOIA.se esse limite de tempo não existe, pois o foco está em viabilizar o processo criativo, que é algo de longo prazo, sem data para acabar.
Outra diferença que pode-se apontar com relação ao modelo com foco nos projetos está numa menor objetividade e tangibilidade na relação de troca que se dá através das recompensas. Enquanto em plataformas como o Catarse vemos muitas vezes uma relação de troca material clara e objetiva (ex. apoiando com R$40 o apoiador recebe um CD), no APOIA.se embora possam haver também recompensas materiais, os criadores são estimulados estabelecer com seu público uma relação de trocas que ultrapasse a relação apoio-recompensa material. Ou seja: a dinâmica de recompensas é um pouco diferente, porque a grande recompensa pode ser o próprio conteúdo final a ser produzido.
Por isso, não subestime a possibilidade de ter o próprio conteúdo final que você produz, como a primeira e a principal recompensa que você tem a oferecer.
Tal prática pode ser vista funcionando em plataformas de financiamento recorrente como o Patreon.com, uma das referências do APOIA.se.
Vivendo para criar e financiamento coletivo recorrente: Menos dinheiro de mais apoiadores!
É importante ter em mente que a relação ser construída entre criadores e apoiadores é uma relação de longo prazo. Por isso é fundamental que os apoios possam ser de valor baixo, o mais pulverizados possível, dentro da base de apoiadores. Dessa forma, é bom para os criadores, que evitam ficar demasiado dependentes de poucas pessoas, e é bom para os apoiadores, que terão mais fôlego financeiro para manter os apoios em momentos de instabilidade financeira, além de poder apoiar outros criadores, mesmo que também com valores baixo. Frente as plataformas com modelo "Tudo ou Nada" onde os valores de apoio médio são muito mais elevados (chegando de R$50 a R$100 dependendo da categoria do projeto) essa é outra diferença em relação ao modelo do APOIA.se, onde muitos criadores recebem apoios a partir de R$1.
Dada a natureza do financiamento e da extensão das campanhas, as recompensas também acabam sendo pensadas de forma um pouco diferente. Enquanto as recompensas nas plataformas de financiamento com foco no projeto oferecem recompensas mais pontuais, as recompensas de uma plataforma como APOIA.se têm uma natureza mais contínua.
Falaremos mais sobre as recompensas na continuação deste post, no post 2 desta série.