Alpargatos

Provavelmente você já se sentiu sufocado pelo caos urbano e perdido em meio à rotina. Ciente desses problemas modernos, a banda porto-alegrense ALPARGATOS expõe de forma empática em suas letras esses sentimentos cotidianos, tendendo para um lado mais sentimental e metafórico.

“Escrevemos principalmente sobre observações mundanas, as reflexões não são sobre o “eu”, mas sobre o que o ele vê. As letras do Rodovia são muitas contemplativas. A primeira coisa que notamos é a letra ao invés da melodia. Se de alguma forma a letra não “bater” pra gente, vamos falar que não se encaixa com o nosso estilo.” Conta Bruno dos Anjos, guitarrista e vocalista do conjunto.

Formada atualmente por Afonso Antunes, Bruno dos Anjos, Leonardo Braga e Pedro Nectoux, a banda lançou em 2015 seu EP de estreia, intitulado Rodovia do Parque. As músicas consideram o eu lírico a partir dos seus sentimentos, não de seus atos, sendo muito pouco específicas — como a faixa “Cerco”, que contempla a insegurança a partir da quebra de um ciclo.

“Para gostarmos da música, temos que saber que aquilo vai comunicar de alguma maneira, por exemplo se é uma letra muito cabeça ou muito específica, já descartamos. Tem que ser algo que transmita uma mensagem, pois esse é realmente o sentido da música. Acho que se ela só toca a nós, não tem muito sentido de existir.” Comenta Afonso Antunes, guitarrista e vocalista da banda.

Em 2013, quando a banda teve início, o nome saiu de maneira natural em meio ao grande número de bandas de “indie irônico” que estavam surgindo. Mesmo com um nome referente à vestimenta gaúcha, o grupo nega uma possível ligação com o bairrismo, pois nenhum integrante possui o rock gaúcho como possível influenciador. O nome tem mais relação com o sentido de relaxamento que a alpargata dá para o gaúcho, de algo feito a mão.

Por mais que a banda esteja em constante mudança de rumos, eles afirmam que a essência das letras e do escapismo vai sempre continuar a mesma, sobretudo, sempre se aperfeiçoando nas melodias. Uma das principais culpadas por essa situação de constante mudança de opinião, segundo a banda, é a cena independente que demanda muito tempo para a gravação dos discos.

“A banda é um divã eterno, sobre o que tá acontecendo, como a gente vai continuar. A forma de encarar a música sempre continuou a mesma, só muda a forma como a gente entende o entorno e a divulgação da banda, planejamento, reunião. Essencialmente ainda é a mesma banda, mas racionalmente não.” Conclui Bruno.