Juventude e reorganização da esquerda: contribuição ao 6º Congresso do PSOL

Contribuição ao 6º Congresso Nacional do PSOL.

Vivemos tempos de ataques à nossa dignidade. Tempos de desemprego, violência, precarização dos serviços públicos, de desolação e descrença. Mas também tempos de resistência, reinvenção do projeto democrático e popular para o país, das nossas práticas políticas e de reencontro com nossas tarefas históricas. É o momento de reorganizar a esquerda e a juventude brasileira, enfrentar o golpe, virar o jogo e transformar o Brasil!

O golpe parlamentar dado em abril de 2016 avança com a continuidade de Michel Temer na presidência. Mesmo com a reprovação de 94% da população, o governo golpista se mantém de pé, blindado pelo congresso mais conservador e mercenário da história recente brasileira, fragilizando nossa democracia e pondo em marcha as políticas de ajuste fiscal. Ao derrubar o governo Dilma, que já havia iniciado políticas recessivas, traindo e minando a base que a elegeu, Temer apresenta sua “Ponte Para o Futuro”, mais recessiva e anti povo ainda, acelerando a retirada de direitos sociais, não demonstrando qualquer capacidade de enfrentar a crise.

A juventude esteve de frente em grande parte das manifestações contra as reformas de Temer e seus diversos ataques aos trabalhadores. Foi assim no “Fora Cunha”, quando mulheres, jovens e trabalhadores denunciaram seus projetos de redução da maioridade penal, maior criminalização do aborto e seu papel golpista, que culminou em sua cassação. Foi assim na luta contra a PEC 247/55, do congelamento dos gastos sociais por 20 anos, que resultou em mais de 200 universidades ocupadas pelos estudantes. E foi assim também na Reforma do Ensino Médio e contra os projetos “Escola Sem Partido”, respondidos com muita resistência dos secundaristas, que ocuparam mais de 1000 colégios e criaram processos inovadores e autônomos em suas escolas.

Mesmo com tantas resistências, sofremos inúmeras derrotas, como na aprovação da Derforma da CLT e na eminência de uma reforma previdenciária. Precisamos inaugurar um novo ciclo de lutas populares para resgatarmos a democracia e voltar a ter vitórias. A esquerda se depara com a necessidade imediata de mobilizar para os enfrentamentos do dia-dia ao mesmo tempo em que realiza seus balanços e se reorganiza. Sem não avaliarmos corretamente os erros e os acertos dos 13 anos de lulismo no Brasil, não seremos capazes de produzir sínteses que os superem e apontem para um novo ciclo.

Nas lutas, os movimentos sociais compreenderam que somente a unidade na luta seria capaz de resistir e virar o jogo. A Frente Povo Sem Medo foi uns dos principais espaços de rearticulação de movimentos de esquerda, enfrentando o sectarismo e dando consequências prática às pautas democráticas e à agitação anti-austeridade. Diferentes movimentos de juventude, sindicatos, entidades estudantis (como UNE, UBES e UEEs), mandatos de esquerda e movimentos populares (como MTST e Mídia Ninja) se unificam em manifestações e ações por novas eleições presidenciais. O ápice desta resistência foi a Greve Geral de 28 de abril, que parou o país inteiro.

Partimos de uma constatação necessária: a conciliação e o pacto político com a elite e com os setores corrompidos da velha política não são a sustentação de um programa de mudanças para o país. Existe vida e alternativas para além das receitas neoliberais, os de cima devem arcar com a crise que causaram. Radicalizar a democracia e ampliar a participação popular nas instituições também é nosso dever, para superar a lógica da troca de favores dentro do parlamento.

O balanço da esquerda no último período exige firmeza na autocrítica e humildade para compor um processo real de reorganização, construindo novas sínteses políticas. Do contrário, corremos o risco de repetir equívocos, não dialogar com a realidade do povo e não enfrentar as novas facetas do capitalismo.

Essa síntese, no entanto, não devem ser feitas apenas na vanguarda, mas também na base dos movimentos e nas frentes de massa, e as juventudes em luta cumprem um papel decisivo. A dinâmica destes movimentos proporcionam experiências a quente e ensaiam novas práticas. As lutas contra as reformas se somam às expressões da diversidade real do povo — LGBT, mulheres, negritude, indígena, e popular — que lutam por reconhecimento, respeito e dignidade, com perspectiva de classe e pela representatividade real na sociedade.

O Partido Socialismo e Liberdade tem atraído cada vez mais aqueles e aquelas jovens que lutam e procuram uma política que os representem de fato. Mais de um terço do PSOL é composto por jovens, que enxergam o partido com vocação de ser uma alternativa de poder. Acreditamos que a reorganização da esquerda avança com a reorganização dos movimentos de juventude, e que esse processo também passa por dentro do Partido. O PSOL deve continuar sendo a referência dessa juventude, que assume para si a tarefa de retomada das lutas do povo.

Um novo campo de juventude deve ser formado nesse processo, com capacidade para enfrentar o Governo Temer e de propor saídas que correspondam aos anseios dos jovens. Uma juventude popular e socialista, que prioriza construções unitárias e formula políticas é a melhor resposta dentro de uma conjuntura de tamanha defensiva da esquerda. Ela também passa pela construção da Frente Povo Sem Medo e precisa estar disposta a construir novos métodos, sínteses e a combinar autonomia com comprometimento partidário.

A reorganização da juventude é uma das peças mais importantes para a vitória do povo, para o avanço da esquerda e para alcançar o socialismo. Nós convidamos todos e todas a participarem da tese Unidade Socialista e debater as perspectivas dos jovens nas lutas que virão.

Gabriel Alves [RJ] — (21) 98018–9294
Will Barros [AP] — (96) 98134–3471
Thiago Bessa [PA] — (91) 8316–8621
Maria Clara [MG] — (31) 9246–1886
Tabata Tesser [SP] — (11) 96410–6082
Lilian Fernanda [SP] — (19) 98415–4779

Diego Bernardes [MG] — (31) 9909–5936
Edemiler Api [SC] — (48) 9921–7305

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