Poemas de amor improvisados II

Uma pequena viagem a um submundo monotemático.

Lágrima
Viu o chapéu que usei naquele rodeio, amor?
Empoeirou, do nosso único beijo.
Narciso sou e a ti devo a honra,
de ver enfim que o amor não segue roteiros.
Ainda procuro os teus nos olhos do espelho,
mas falta um quê de verde em cada gota.

Desde que resolvi colocar em algum lugar relativamente ao sol os rabiscos e rejeitos de escrita que nunca gostei, tenho pensado que quase todos contam uma só história. Todos parte de uma história maior, mais complicada e sem nexo que qualquer delírio momentâneo meu. Não sei bem de onde vieram - minto - ou por que apareceram assim tão esparsos e disformes.

Sei que vieram, alguns, em dias de chuva. Outros, em aeroportos. Outros, na mesa da cantina em que sempre tomava um suco de laranja no meio da tarde. Sabe lá o que isso conta, mas faz parte da história e sou um sujeito meio honesto demais, esses dias.

Ah, se eu tivesse sempre tantas palavras pra falar do que eu sinto quanto tenho pra reclamar da vida. Estranho pensar que passo o dia tagarelando por aí, agora. Dou conselho, xingo, falo aos quatro ventos (até mais) tudo aquilo que penso, à exceção do que passa pela minha cabeça quando me perguntam o que eu quero fazer.
Não, não precisa mencionar um futuro próximo hipotético, também. Basta falar uma palavra, uma sílaba, uma letra. Ou sobre sorrisos.
Estranho pensar que passo o dia pensando em ti, contraste de cores e de palavras. Estranho querer te dizer tudo isso justo hoje, e sentir receio. Mas tudo bem, meu bem. Há coisas na vida que é melhor não saber.
Deixa eu guardar mais essa mágoa e pensar que título vou dar ao “nosso” drama.

Fora isso, difícil dizer o que aconteceu. Nada funcionou muito linearmente. De uns tempos pra cá, eles pararam, nunca mais veio uma frase ou um tema aos olhos. Era sempre assim, também. Aparece, primeiro, o significado, um senso de causa, um objetivo. A tal inspiração, que a princípio nunca existiu, surgindo diante dos meus olhos. Figurativamente falando.

E essa vontade estranha que me dá de tudo que não posso ter?
Reflexo das vontades várias de pequeno, rico o suficiente pra conhecer de perto o luxo, nunca pra ter.
Ainda bem: é assim que se cresce, dizem.
Só quero saber que grandes lições vou tirar de paixões intangíveis, além de uma forma ou duas de ignorar a dor do amor.
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