O cantinho das músicas sem metade das batidas

Essa história começou onde toda grande história começa: Na internet,
Tardezinha mixuruca, scroll vai, scroll vem, abro o youtube e por alguma razão inexplicável para nós mortais porém calculável pelo algoritmo maluco do google, fui sugado para um thumbnail da cara do Bruno Mars composta por duas metades espelhadas.

E então, de repente assim, tudo mudou.

Como qualquer ser humano normal, instantaneamente fui levado à loucura e postei em todas as redes sociais meu novo vídeo do dia. E tudo correu conforme a tradição: Ninguém viu, ninguém comentou. Vida que segue.

A vida seguiu e à noite me peguei…


Frank Okay/Unsplash

e suas formas delicadas de abordar o elemento humano

Game of Thrones, Stranger Things e How I Met Your Mother:
Exemplos que figuram com segurança no hall das séries mais indicadas em rodas de amigos. Fala a verdade: Se você tem entre 15 e 80 anos, já ouviu amigos ou familiares falando sobre qualquer uma delas — de forma passional, provavelmente. São nomes que fazem parte do inconsciente coletivo.

Sem querer ser aquele seu amigo que nunca gosta de nada que está na moda e só consome conteúdo que ninguém nunca viu, meu humilde objetivo nesse texto é te falar de três séries excelentes que não tiveram o mesmo…


A gente morou lá por um tempinho só. Uns meses. Acho que até chegou a dar um ano.

A gente tinha um pouco de medo, na época, mas não era nada sobrenatural e nem nada específico. A gente só tinha um pouco de medo mesmo, da vida. Normal, como praticamente todo mundo aqui tem. Talvez o medo era da cidade. O medo, talvez, era do ponto médio entre dois postes, na calçada, ali onde a penumbra é mais forte. A gente tem até medo das árvores, aquelas com a copa mais cheia e o tronco mais largo. A gente tem…


crazy… I’m crazy for feeling so lonely

é meio estranho, é meio absurdo você acordar de madrugada com essa música tocando no outro comôdo, bem baixo pra você, mas estridente e quase arrebentando os tímpanos de quem ouve em fones que, de acordo com a embalagem, não vazam qualquer mínimo volume música para o ambiente.

e não é porque o verso fala de solidão. acho que essa parte a gente já passou, né. por favor. não, é estranho porque o que vaza dos fones — que nem são tão ruins assim — é somente a voz da alison mosshart. é…


Eu tô aqui falando com o Rômulo, ele tá me dizendo que talvez vá dá pra ir. Mas ele não sabe. Ele falou aqui que tem alguma coisa de família. Canelone da vó, parece. Mas que ele nem gosta de canelone. Mas que ele vai tentar ir. Não é todo dia que você faz esse tipo de coisa. Não é todo dia que você conhece gente, vai. Gente que você quer conhecer. Que escroto, é, poisé.

Não sei o que tá acontecendo. Acho que tá faltando alguma coisa aqui.

O Rômulo ainda não deu as caras. Tô com medo de…


Exercício com binômios fantásticos, para o módulo de crônicas do CLIPE 2014.

Reescrever feijão é importante. Pode não parecer, ou pode parecer bobagem. Maluquice, você diria. Mas não: Você não sabe o valor de reescrever feijão.

Essa semana um amigo me disse que pesquisas do instituto de linguísticas avançadas do MIT apontam que reescrever palavras possui o mesmo efeito, no cérebro, de repetir palavras em voz alta. Para mim foram duas novidades: Eu nunca soube sequer que esses momentos onde as palavras perdem o sentido eram bons para alguma coisa, mas parece que eles, entre aspas do meu amigo, massageiam o cérebro. …


Exercício para o CLIPE 2014

Nada na cidade tinha cheiro de paçoca.

Ninguém imaginava e nunca ninguém adivinharia, mas era “nada na cidade tinha cheiro de paçoca” a frase que Wladimir tinha em mente, nos segundos que antecipavam o momento que estragou um estado de suspensão que há muito não aparecia em sua vida. É engraçado notar, como quem pede para que os amigos prestem atenção numa cena engraçada que está prestes a acontecer no filme, mas que ainda não aconteceu e justamente por isso vai perder toda a espontaneidade e estragar indefinidamente o humor do grupo, que o evento que trouxe Wladimir de volta…


Poema por Wladimir — exercício para o CLIPE 2014

animadas
- e felizes -
duas caras no café

como se eu as adorasse,
elas me considerassem
e cada um fosse o que é

“vai à merda, joga fora
não queria estar aqui”
quis ter dito mas não disse
e a não-resposta eu li:

=) =)


Poema por Wladimir (Exercício para o terceiro módulo — poesia — do CLIPE2014)

Não me fez nada. O menino na rua, da cara amassada. O cachorro magrinho ali na calçada. Não me fez nada. Não me faz nada. Ver o carro batido, a porta quebrada. Ver assim, bem ao vivo, uma loja roubada. Ver os caras fugindo na rua lotada. Não me faz nada. Não me fará. O mendigo tremendo ali na entrada da loja de bolsa da rua lotada. Eu passo, cê passa, ninguém fala nada. A moça da loja aborda, animada: “Tá aqui um dinheiro, come uma salada. Melhor, hoje é quarta, pede a feijoada!” Galera acha lindo, “moça abençoada”. Mas…


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João R.

Macaco, praia, carro, jornal, tobogã, eu acho tudo isso um saco.

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