Devaneios de um simples bar

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Me encontro sentado na mesa desse bar. Confesso que é um lugar elegante — com iluminação perfeita, garçons educados, pessoas bonitas, e uma boa cerveja– mas ainda me falta algo. É, faz algum tempo que tenho essa sensação estranha.

O casal do meu lado tem uma conversa sobre assuntos aleatórios, enquanto a moça mais distante desfruta de uma Polar bem gelada. Todos ao meu redor agem como se estivessem em total sincronia. Como eles não conseguem perceber o caos que me encontro, aqui, bem ao lado deles? Quando foi que minha estabilidade emocional ficou tão debilitada ao ponto de emocionar com uma simples criança pedindo uma sobremesa na mesa número 6? Bom, eu não posso discordar que ela tem um ótimo gosto. Sorvete com pedaços de morango e com cobertura de Nutella, sempre me pareceram um pedido apropriado.

“Ei, amigão! Vai mais uma rodada por aí? ”, ouço alguém falar. Nesse momento, meu corpo atua por impulso. Apenas balanço a cabeça. Acredito que seja um sinal esforçado de alguém pedindo socorro, mas o garçom entende como um “sim”, e me traz mais uma rodada de Polar. Quem sou eu para recusar? Ele me chamou de amigão! Amigos sempre fazem o melhor para te verem bem, né? Confio no julgamento do garçom.

Enquanto abro a minha cerveja, lembro-me dos erros que cometi. E se eu não tivesse cometido tantos? As pessoas que eu tanto admirei, ainda estariam do meu lado?

“Está na hora de fechar o bar”, diz o gerente. Como assim? Eu ainda nem terminei as minhas reflexões sobre a minha vida. Eu recém me perguntei se esses meus pensamentos aleatórios estão relacionados com a quantidade de álcool ingerido. Tenho certeza que se me fosse solicitado para realizar o teste do bafômetro, o agente acreditaria que a máquina estivesse estragada, pois os índices iam ser relativamente altos.

Enfim, pago a minha conta. Agradeço o atendimento dos meus novos amigos, os garçons, e desejo-lhes um boa noite. Quem sabe outro dia termino essa reflexão…

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