o buraco

Raquel Araujo
Sep 9, 2018 · 1 min read

acordo, levanto, me olho no espelho e enxergo um buraco em mim. meus olhos: úmidos e vazios. minha boca: silenciada. meu coração: doído de saudade. tento sorrir e tudo o que vejo é que meu nariz é tão engraçadinho quanto o teu quando sorria, ele se abre como se fosse o próprio sorriso. e teu sorriso? escandaloso que só tu tinha. poucas palavras têm saído e as que saem são sobre você. tento me desvencilhar de toda dor e tentar seguir, mas é a mesma coisa que andar sem saber pra onde ir. o rumo se perdeu assim que eu te perdi.
meu anseio é o teu abraço-lar apertadíssimo e o carinho que ele transmitia de um jeito único. vejo tanto de ti em mim que me assusto, mas agradeço ao universo por ter tido o privilégio de compartilhar o mesmo espaço e tempo que você, alguns mesmos traços e o laço sanguíneo, além de tamanho amor.
nada tem sido o mesmo sem você. nem eu.

    Raquel Araujo

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    devaneante e mais alguma coisa aí.