A beleza de dois corpos se tornarem um!

Nossa noite foi sensacional, em meio às algemas, aos óleos à meia luz, eu tinha você, massageando meu corpo, torpe, perdido em devaneios e desejo. A luz das estrelas, penetrava por entre as cortinas e atingia teu torso revelando pequenas manchinhas em teu corpo pálido e sedento. Tuas mãos, acariciavam meu corpo e quase tocavam minha alma, minha essência, meu ser… Vivíamos naquele momento, por alguns minutos, éramos eternos, só eu e você, perdidos à luz da lua e das estrelas sentindo o gozo da celebração dos nossos corpos, pálidos, despidos, nossas almas sem véu, nossa essência sem segredos… Éramos eu e você.

À medida que tuas mãos quentes avançavam sobre mim, imobilizado, vendado, eu sentia o pulsar de meu corpo, se contorcendo de dor e prazer, sentindo a maciez da sua língua, acariciando por entre minhas frestas, sentindo o gosto de minha lucidez e provando um pouco de minha loucura. Em meio aos apertos e carícias eu gemia alto, sentia dominado, acuado, e você avançava feito um animal feroz, sedento de sangue, sedento por mim. Tuas coxas, grossas, pressionadas contra meu corpo me fazia sentir-me ligado à ti, intimamente, de forma física e espiritual… Éramos um só, dois corpos celebrando a união carnal e espiritual de dois indivíduos que, cansados da solidão, uniram suas tristezas em busca de novas alegrias e prazeres inimagináveis.

O jorro de tua essência me percorreu a alma, atingiu meu âmago e me fez sentir novo, teus gemidos penetravam meus ouvidos e enchiam meu coração de alegria, e em meio à tua explosão estelar de prazer eu encontrei a minha, sentia minha vitalidade percorrendo meu corpo, pronto para implodir e então se recompor para começarmos tudo outra vez. Não me contive, e me desfiz em meio à teu prazer.

Naquele momento percebemos que pertencíamos um ao outro, o corpo de um clamava pelo corpo do outro, como que em abstinência, desejando sentir novamente, por um breve momento o prazer que o viciado encontra em sua droga. Éramos ambos, droga e viciado, presa e caçador. Éramos dois, e ao mesmo tempo, éramos um.