Metal e poeira

Noite passada estive em teus lençóis, metal e poeira era o gosto dos seus beijos, molhados, que acariciavam minha alma muito mais que meu corpo. As estrelas iluminava nossos corpos, cinzentos, sedentos de paixão e de prazer, as cigarras cantavam e, junto com os nossos gemidos, embalavam o movimento síncrono de nossos corpos, despidos à luz do luar.

Nosso jantar foi perfeito, em meio às piadas, e acontecimentos sobre nossas vidas, eu olhava teus olhos enegrecidos e via mais que seu corpo, enxergava parte de sua alma, enegrecida também, pelos erros do passado. Estes que te atormentam e te tiram o sono em meio à noite. Te vi descansar o corpo e a alma, te vi despir sua mente em minha frente, e mais do que com teu corpo, fiz amor com tua alma, senti o gosto da sua essência e ouvi os gemidos de prazer, dor e amor, presos na tua garganta à anos, se libertarem como num grito de liberdade que ansiava por acontecer à anos.

O brilho dos raios de sol desta manhã despertou-me em meios aos teus beijos molhados, e tuas carícias amáveis. O canto dos pássaros me trouxeram a paz, juntamente com tua voz rouca e teu hálito fresco, cuidadosamente preparado enquanto eu dormia. O café quente, fumegante esquentou meu coração, tanto quanto tuas carícias no meu rosto ou a forma como me olhava, me desejando e me cuidando, como num turbilhão de coisas que se passavam em nossas mentes. As torradas preencheram meu estômago assim como tuas histórias preencheram minha mente e teu cheiro preencheu meu corpo, e deste, não quero me desfazer.

Tivemos uma noite perfeita, e eu poderia viver naquela noite pela eternidade, até que nossos corpos virassem pó e nossas mentes, nada mais que vagas impressões e lembranças do amor que fizemos, das sensações que tivemos e coisas que dissemos. Espero poder deliciar-me do teu corpo novamente, do teu café, da tua casa e da tua presença em meu ser.

Novos e eternos, dia após dia.