O que eu e a Lana Del Rey temos em comum?

Tem muita gente que não sabe, mas a nossa Laninha estudou filosofia na faculdade, na área de metafísica. Quando eu soube disso consegui entender porque sempre ouvi e me identifiquei. Mas ela fala coisas tão relevantes… A primeira vez que eu ouvi Ride e prestei atenção no monólogo que aparece antes e depois da música, meu deus, me identifiquei de cara. Passaram-se anos e eu continuo me identificando cada vez mais e mais. E no que ela mais tem razão é sobre a obsessão por liberdade. Pensar sobre isso muitas e muitas vezes me faz ficar com a cabeça doendo. Pensar em liberdade nos faz pensar em existência e aí, meu amigo… Estamos perdidos. 
 Na minha vida a questão sobre existência sempre foi presente, desde antes de pensar em fazer filosofia, eu só não sabia que as crises que as pessoas chamam de existenciais (corretamente, sem nem saber) de zombaria e de “coisa de emo” era, na verdade, um problema muito relevante. Um problema que perturbou muita gente, rendeu muitos livros e muita polêmica. Quando eu li “A Náusea” meu mundo caiu. Esse livro e eu somos quase a mesma coisa. Cada palavra do personagem sobre quase tocar a própria existência eram minhas também. Eu passava dias chorando depois de ler alguns capítulos, olhando pro teto e pensando “isso é tudo, não têm problema se eu ficar aqui sofrendo porque eu percebi tudo, todos os átomos de tudo que toca minha pele, está tudo bem ficar aqui” e pensando que a vida poderia ser assim. Eu pensava que seria atormentada por isso por todos os minutos de todos os dias da minha vida, mas não é assim. Às vezes o problema parece sumir. Nada mais me toca a pele, queimando até o osso como antes. Esse toque não faz diferença, por isso às vezes demoro a perceber. O problema retorna quando eu percebo e instantaneamente volta e queimar. Perceber a existência pode ser em qualquer coisa. Lendo um livro, vendo uma folha cair de uma árvore, em uma conversa, olhando o Facebook, vendo um clipe da Lana. Em qualquer lugar. Você não consegue ver, mas ela está em tudo. Tem gente que não consegue sentir. São aquelas pessoas do “antes da pílula vermelha” do Matrix e às vezes eu diria que elas são felizes, porque se elas fossem atormentadas como eu sou por isso… Elas entenderam porque eu tenho tantas crises, porque eu me incomodo com tudo, porque faço coisas sem motivo e não faço coisas sem motivo. Elas entenderiam porque eu sumo por um tempo e fico sem dar notícias.

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