Sobre a (minha) escrita

Nesse ano de 2017 conheci 5 autoras/es nacionais, pois trabalho em uma livraria e as editoras e os mesmos autores se esforçam pra ter esse contato conosco. A todos/as eles/as fiz a mesma pergunta: “como você começou a escrever?” e em todas as respostas aparecia algo que envolvia “sempre gostei de escrever/sempre escrevi”, quando na verdade eu esperava uma fórmula pra entender essa complexa habilidade de tecer mundos a partir do nada.

Comigo sempre foi uma coisa assim: sempre gostei de escrever, do ato em si, mas sempre fui dura demais com o que produzia e sempre acabei apagando tudo, deixando de lado, esquecendo. Até hoje tenho essa coisa de me julgar muito antes, de pensar que as pessoas não vão gostar dos meus textos, que não tá bom, que preciso aprender mais, ler mais, pra conseguir escrever melhor. Mas a verdade é: se todo mundo fosse esperar pra fazer o que tem que fazer só na hora certinha, depois de tudo certinho, nunca faríamos nada na vida (ou pelo menos na maioria dos casos).

Eu já li livros sobre como é ser um escritor, sobre o ato de escrever e inclusive de um dos meus autores preferidos, o magnífico Murakami e o seu “Romancista por vocação”. Só o título me assustou, porque eu nunca achei (e nem acho) que tenho vocação pra escrever ou pra qualquer outra coisa. Juntando essas leituras e todos os autores que conheci, fiquei meio me sentindo num barquinho inflável no meio do mar: sem saber de onde vim, sem saber pra onde ir e pensando que isso não vai durar muito. A última autora que conheci disse que escrevia desde os 8 anos e óbvio que na hora gelei. Nunca fui de escrever muito, só de ler muito… Será que a possibilidade da carreira de escritora havia morrido ali? Pela quinta vez eu ouvia sobre escrever desde sempre e em todas as vezes eu meio que murchei depois dessa frase. Nunca fui de mostrar a ninguém meus textos (e nem meus desenhos), por medo de julgamento e de ser ridicularizada pelo tipo de escrita (Qual meu tipo de escrita? Não faço a mínima ideia!) ou pelo tema escolhido. Tudo isso me fez descartar textos atrás de textos, largar de mão histórias, mundos e parágrafos. Pensando e lembrando disso, me dando conta de quanta coisa boa poderia ter saído de tantas ideias, nem que fosse um pedacinho de cada uma, acabo me arrependendo.

Hoje em dia o que escrevo é pra cá ou fica só na minha cabeça por alguns minutos, se montando e estrurando, e depois some. Acho que todo leitor já pensou ou sonhou em ser escritor. Em criar mundos que ajudam a aliviar a dor da vida adulta ou da realidade em que vivemos. Em estender a mão com a cura que a literatura fornece. Em ajudar pessoas com as palavras que sairam direto do nosso coração, da nossa fantasia mais linda ou da nossa realidade tão dura. Todos nós sonhamos muito em poder viver dentro do nosso mundo, onde tudo é possível, inclusive nossa vontade avassaladora de ser uma escritora.