pra nunca esquecer de mim.

A partir de hoje, quero ser sincera com meu ser, e desejo manter esta vontade até meu ultimo dia.
Demorei algum tempo até entender o que ter autoestima realmente significava, num primeiro momento superficial cheguei a pensar que estaria bem a partir do momento que me sentisse bonita, que olhasse no espelho e ficasse feliz de fato com o reflexo que me encarava.
Amar a si é uma tarefa árdua quando o mundo te obrigada a repelir o que há de real dentro de nós, vagamos no exótico, no excêntrico, no não aceitável, e assim, descartamos nossa individualidade, suprimimos nossa vontade, e enterramos bem fundo tudo aquilo que nos torna nós.
Eu sou uma pessoa quebrada e partida, sobrou bastante coisa em ruína depois de todas as idas, mas eu ainda continuo aqui. Nossa sentença é viver na mesma pele todos os dias, andar com este mesmo corpo mutável, respirar diferentes ares pelo mesmo nariz, chorar de tristeza ou alegria e enxergar a vida com os mesmos olhos, mas que não seja com os mesmos olhos de sempre.
Fragmentada, juntei meus cacos devagar, olhei pra cada pedaço lembrando de cada momento, costurei os retalhos, abracei-os e não naufraguei. E juro, eles até ficaram bonitos, e com lágrimas nos olhos entendi.
E espero ler isso todas as vezes que eu me esquecer.
Ter noção de onde eu posso ir não me coloca numa posição prepotente, mas realista. Essa ideia que inseriram em mim de uma humildade submissa só faz com que me auto classifique figurante num filme que sou protagonista.
Recuso a sabotar-me, a pedir desculpas por agir dessa forma irregular, não linear e totalmente aleatória que me foi dada, a questionar meus gostos, a concordar com o que as vezes não faz tanto sentido pra mim porque algo me obriga a agradar.
Não aceito mais essas migalhas que me oferecem e chamam de afeto, quando é nítido que minha presença só serve pra cobrir a ausência, sou um ser em construção e quero evitar que fiquem em cima do meu muro enquanto só esperam um outro passar.
A partir de hoje, eu quero completo, por inteiro. A partir de hoje, eu me entrego sem me por freios, mas sempre tendo prudencia para que não atropele ninguém; a partir de hoje eu quero dizer o que sinto sem que isso me cause surtos ou medos de perdas, a partir de hoje, sentarão o amor e eu na mesma mesa.
A partir de hoje, eu vou ser tão eu, que talvez nem eu reconheça.
