Diálogo

É comum ouvir que a oração é um “diálogo com Deus” — para falar a verdade, um dos meus livros favoritos sobre o tema traz esta ideia no próprio título. A ideia é que, enquanto nós estamos falando, de algum modo Deus nos fala, Deus nos dirige e nos guia através de nossos sentimentos e impressões, de modo que obtemos respostas às nossas perguntas quando as fazemos de joelhos.

Mas algo que pode nos passar desapercebido é que esta não é a única forma de experimentarmos um diálogo com Deus — e talvez não seja a forma mais segura e definitiva. Todos nós que já passamos alguns anos dentro da Igreja já experimentamos (pessoalmente ou com os outros) algum caso de alguém que tinha uma impressão muito clara de ter ouvido a voz de Deus, para depois perceber que estava errado. É como se Deus falasse de forma suave demais, baixa demais, e confiasse na nossa capacidade de percebê-lo com nossos ouvidos surdos.

Mas não deve ser assim. Jesus diz que as suas ovelhas ouvem a sua voz e a seguem, e ele nos fala claramente pela bíblia. Se a abrimos e buscamos entender o que ela diz, ouviremos a voz de Deus, ouviremos a direção dele, receberemos a resposta às nossas orações. Para quem gosta de viagem no tempo, é como se as orações que fazemos hoje já estivessem escritas no livro escrito há dois mil anos.

Isso não quer dizer que, voltando a oração, jamais receberemos alguma impressão forte de Deus, ou ouviremos mesmo a voz dEle nos momentos de intercessão. Entretanto, quando mais conhecemos a Bíblia, mais clareza teremos para perceber se essas sensações se harmonizam com o que Deus nos deixou claro em sua palavra.

PS: Levemente baseado na breve introdução do curto livreto “Recomendações aos jovens teólogos e pastores”, de Helmut Thielicke. Quando terminar, faço a resenha dele aqui.

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