O Retorno do Arganaz

Os blogs tem uma grande parcela de culpa sobre quem eu sou.

Comecei a usar a internet em 2002, começo do milênio. Não deve ter levado muito tempo para que eu reparasse que eu podia fazer mais do que procurar jogos em flash e tentar usar o mIRC — a internet poderia ser, no fim das contas, um bom lugar onde colocar algumas ideias e testar a escrita, seguindo o pensamento vaidoso de todo o blogueiro de que alguém, em algum lugar, se importa em ler as coisas que você escreve.

Acho que eu ainda continuo um pouco assim.

Bom, de texto em texto comecei a reparar que realmente gostava daquilo. Mesmo no fotolog (sim, eu também tive um) houve um tempo em que meu desafio não era postar a melhor foto, mas sim fazer um texto que atingisse os 5 mil caracteres do limite. Nessa fase já estamos em 2006, quando decidi que seguiria meu gosto e faria jornalismo na faculdade.

(Claro que, hoje, o que eu menos faço no jornal é escrever — mas a vida é como uma caixa de chocolate.)

Bom, mais de dez anos depois do meu primeiro post no blog mais antigo que tenho acesso (o blig saiu do ar, infelizmente), volto a começar um blog. Já vou adiantando — blogs pessoais eram, e ainda são, espécies de paixões de juventude — você alimenta por um tempo, escreve freneticamente, mas os meses passam e ele vira uma capsula do tempo: um registro do que você pensava numa era, guardado num espaço para ser lido depois.

Pelo menos é assim que me sinto nas vezes em que olhei os post dos blogs antigos. Minha vaidade de imaginar leitores não pensava que um dia eu mesmo seria leitor de mim, acompanhando as coisas que aconteceram, vendo o que Deus fez nestes anos, vendo como mudei (ou não).

Não sei quantas pessoas lerão isso. Mas fica aqui este prólogo com tom de epitáfio.