40 dias no Uruguai. Por que eu amo esse país?

Playa Mansa, Punta del Este — Uruguai

Uruguai foi minha primeira parada em um mochilão de um ano, sendo seis meses (ou mais) pela América Latina. Não vou negar que pouco conhecia desse país e de sua gente mas eu estava super aberta e disponível para conhecer, afinal esse é o objetivo pelo qual botei uma mochila nas costas e fui, né?!

Por que começar pelo o Uruguai?

Os motivos eram simples:

  • Geograficamente mais próximo do Brasil. Eu peguei um avião de São Paulo a Porto Alegre e depois segui de ônibus até Punta del Este (9 horas mais ou menos. Super tranquilo, recomendo!)
  • Tinha companhia nas primeiras semanas. Minha amiga-chefe-migasualoka-partnerincrime topou passar o réveillon comigo e depois outra amiga acabou entrando no esquema também.
  • Era verão e me parecia uma boa ideia conhecer a semana mais agitada do ano em outro país.

O país

Para mim, o Uruguai é aquele país que você se apaixona e não sabe muito bem o porquê. Pode ser porque é um lugar onde as pessoas andam sem pressa, aproveitam seus belos parques, praças e praias levando a sua térmica e seu mate (aonde quer que vá, sério!), seus cidadãos são amáveis, nacionalistas e receptivos, ou por ser um país mais jovem que o Brasil e, ainda assim, está alguns passos à frente com temas que vão se arrastando na agenda brasileira como discriminalização do aborto e legalização do consumo da maconha.

Apesar de Montevidéu e Punta del Este serem os destinos mais conhecidos e concorridos pelos turistas, especialmente os brasileiros que começaram a descobrir mais sobre o nosso “hermano”, o Uruguai é muito mais do que isso! Existem várias outras praias incríveis, como Punta del Diablo, Cabo Polônio e La Pedrera — cada uma com um charme especial e abaixo compartilho como foi a minha experiência em cada uma. E por ser um país relativamente pequeno, o torna bem mais fácil e atrativo de recorrer tudo!

Informações básicas

Capital: Montevidéu

População: 3,5 milhões de pessoas (sendo que quase 50% vive em Montevideo)

Idioma: espanhol (usam o “Vos” ao invés de “Tu” e com um sotaque bem porteño, eu custei à aprender mas depois fiquei craque)

Moeda: Peso uruguaio (em Janeiro/16 estava R$1=8 uruguaios em média)

Curiosidades:

  • É o país com o maior número de rebanho bovino per capita, são quase 4 animais por pessoa. Tem mais animal que gente, minha genthy!
  • Tem a política de incentivo à vinda de turistas pela isenção e devolução de imposto sobre valor agregado, o IVA, em restaurantes, com hospedagem, dentre outros. O visitante recebe de volta até 22% do valor pago com o cartão de crédito!
  • É o lugar mais fácil para se pedir carona na América Latina. É só estender o dedo e #partiu!
  • Têm o carnaval mais longo do mundo (mas não o melhor, isso continua com a minha Bahia), são cerca de 40 dias de bundalêlê.

Sua gente

É possível perceber que eles dividem muitas características com os hermanos argentinos, como o español dicho. Restou, então, uma rivalidade e uma polêmica sem fim sobre muito tópicos como: as origens do tango, mate, doce de leite, empanadas, dentre outros. Mas o que os diferem bem é o bajo perfil uruguayo esse jeitão tranquilo e mais simples de ser. Detalhe interessante: ô povo bonito! Como diria um amigo: “tienen un sabor especial!

Lá, tudo é um pretexto para um “nos juntamos más tarde?”. Aniversário, casamento, recepção, despedida ou qualquer evento é sempre um bom motivo para se reunir e comer um maravilhoso asado. Essa era a parte que eu mais gostava, conheci a casa, a família e os amigos dos amigos que fiz por lá. Eram horas de diversão regadas a boa comida, bebida, música e muita risada! E todos sempre fazendo de tudo para que me sentisse à vontade.

Outra coisa interessante é que o uruguaio é apaixonado por futebol, tanto ou mais que nós brasileiros. Os dois times mais importantes são: Nacional e Peñarol. Recomendo assistir um jogo com eles para entender um pouco dessa paixão uruguaia. AH! Eles sempre lembrarão do ‘maracanazo’, é a glória máxima do futebol uruguaio.

Fede, eu e Mike no Estádio Centenário, Montevidéu

O custo de vida

Para quem tem fonte de renda no mercado de trabalho uruguaio é alto e ganhar em pesos e gastar em pesos não é nada fácil. Mas para quem vem do Brasil, o custo é relativamente parecido ao de São Paulo e Rio de Janeiro. Ou seja, quando comparado ao custo de vida de outros países latinos americanos o Uruguai é um pouco mais caro, dado a sua infraesturura e o que tem a oferecer.

A comida e bebida

Sinceramente, como mochileira (ou seja, pouco dinheiro) não foi nada fácil manter uma alimentação leve e saudável, simples assim. As comidas queridinhas dos uruguaios são a milanesa (parecido com o que conhecemos no Brasil), os chivitos (al pan ou al plato), a torta frita (um tradição no dias de chuva, para comer acompanhado de um mate, sentado na rambla de Montevidéu), o pancho (nosso cachorro-quente, só que sem firulas), medialunas (minhas favoritas ❤) e a tão famosa parrilla uruguaia, um clássico!

Chivito al plato

Não posso deixar de destacar a tradição e o respeito pelo mate, eles tomam a qualquer hora, em qualquer lugar! Cada uruguaio o prepara do seu jeito e nada de querer se meter nesse assunto e MUITO MENOS mexer na bomba (canudo de ferro) quando estiver tomando!

Outras iguarias uruguais que valem a pena provar são: os vinhos da uva Tannat (o país tornou-se no maior produtor a nível mundial desta variedade), as cervejas Patrícia e Norteña e o delicioso doce de leite. Obs.: Óbvio que a Pati virou minha melhor amiga no uruguai, né?


PUNTA DEL ESTE

Comecei o meu mochilão na cidade mais ‘cheta’ (chique) do Uruguai. Famosa por suas praias, festas e cassinos, Punta (como é chamada carinhosamente) é o ponto de encontro de argentinos, chilenos, uruguaios e uns brasileiros perdidos como eu, Gabi, Carol, Alice, Nanda e Val (foto abaixo).

As meninas conhecendo o cassino Conrad em Punta del Este

Eu, Gabi e Carol ficamos no mesmo hostel, o The Trip Hostel. Ele estava lotado, mal chegamos e a gerente já nos avisou que deu merda na nossa reserva e nem todas tinham cama para os dias que iríamos ficar lá. Mas o importante é que demos um jeito e ainda ganhamos umas cervejas! Esse hostel era o mais animado de Punta (e também o mais bagunçado). Rolava festa (prévia, como eles chamam) todos os dias, era aquele vuco-vuco. Ou seja, não precisava nem sair para nos divertirmos, mas é claro que não foi assim (risos).

Entre dias de sol, passeios e muita risada, alguns fatos ficaram marcados durante a nossa estadia em Punta del Este:

  • “Bar Crawl” no Puerto: se você não está disposto a pagar carissímo nas festas privadas ou na Ovo Club, a noite de Punta se resume a uma sequência de bares (‘boliches’) que ficam na região do Puerto. Para conhecer, começamos pelo Soho, seguimos para o Moby Dick e terminamos a noite no Rodriguez. Sendo que o útilmo foi o nosso lugar favorito! Música latina, dois ambientes, gente alegre e descontraída. AH! Foi esse lugar que salvou a nossa noite de réveillon.
Não sei porquê toda vez que íamos tirar foto alguém se metia ou pediam para tirar foto com a gente (risos).
  • Réveillon La Fiesta (cilada): uma das poucas coisas que estava definida em Punta era o nosso réveillon. Compramos o ingresso da La Fiesta, era all inclusive e parecia uma boa opção.
    A festa ficava longe para caramba e era daquelas que as pessoas se produzem parecendo que estão indo para um casamento da corte inglesa. Música eletrônica (tuntz, tuntz, tuntz, all night long), gente que não interagia e em grande parte estavam sob efeitos especiais. Nada contra a festa, só não era muito o nosso estilo. Restou comer, beber e ficar fazendo idiotice (ou tirar um cochilo, no caso de Gabriela).
  • Carona do Oswaldão: como disse, estávamos em uma festa cilada que era muito longe e para completar, não tinha táxi na saída. Ou seja, eu voltavamos andando ou carona. Foi quando Gabriela avistou um senhor que saía com uma van e começou a esmurrar o vidro pedindo carona peloamordedeus. Fomos o trajeto inteiro dando risada porque Alice tinha esquecido a bolsa que ela comprou na feirinha de não sei onde, brincando com o motorista Oswaldão e um casal de mineiros, a ponto de quase fazer xixi nas calças (risos). Enfim, começamos 2016 com o pé direito e bem felizes!
  • Casa pueblo + Punta Ballena: fomos visitar a Vila-obra de Carlos Páez Vilaró, que fica em Punta Ballena. Rolêzinho light (se não fosse pela caminhada ao sol) e de turista. Valeu a pena pelo visual e paz que o lugar transmite.
  • ‘Good luck, bad luck’: foram inúmeras as situações em que disse “Não é possível, essas coisas só acontecem comigo!” e Gabi e Carol choravam de rir ou ficavam tensas junto, por exemplo: um pequeno deslize com o celular e pronto, bye-bye celular com 3 meses de uso e no terceiro dia de viagem. Era subir no beliche do hostel, cair e cortar a mão. Ou mesmo, perder a carteira com todos seus documentos, cartão e dinheiro. Mas como sou uma pessoa que pensa muito positivo,acontece também de encontrar essa mesma carteira, com tudo dentro. Ou mesmo ouvir o segurança do banco te gritando pois havía deixado o cartão dentro do caixa eletrônico. Por fim, nada é tão ruim que não possa piorar, mas no meu caso, no final vai dar tudo certo!

MONTEVIDÉU

Montevidéu é a capital do país e nela se concentra praticamente metade da população uruguaia. É uma cidade que guarda um ar nostálgico e vintage, ou como diria a Gabi, bucólico (risos). É fácil encontrar os uruguaios aproveitando as tardes de fim de semana na orla, levando a cadeirinha, caixa térmica, o mate e ficar curtindo o dia como se estivesse no quintal ou na varanda de casa.

A cidade é uma gracinha, as praças, parques, as avenidas, tudo têm um charme. Me fez lembrar muito de Buenos Aires, só que uma versão mini.

Praça da Independência

A orla do Rio de la Plata, chamada Rambla, para mim é o ponto mais legal da cidade. As pessoas vão aí passear, fazer exercício, namorar, pescar ou ver o pôr do sol. E é aí que acontece a Festa de Yemanjá (02 de fevereiro) e onde viví bons momentos com os meus amigos uruguayos.

Festa de Yemanjá
Com minhas lindas amigas uruguaias Mica, Ceci e Cinthya (La morocha)

Porém, foi nessa cidade que comecei a sentir saudade de casa, de uma rotina, de ter uma vida “normal” de novo. Mas as pessoas que conheci aí foram tão gentis e receptivas que eu me encantei e resolvi ficar mais. E assim fui ficando e ficando.

Tive a oportunidade de conhecer e conviver um pouco com a família de Cinthya e viver o dia a dia de um uruguaio. E isso só me fazia amar ainda mais esse país que me recebeu tão bem e me dava a certeza que sair a explorar o desconhecido, era a melhor decisão.

Punta del Diablo

A decisão de ir conhecer essa praia foi muito simples, eu tava de bobeira em Montevidéu e um par de gente me falou que era um lugar legal, mais roots que Punta del Este e que tava bombando. Enfim, comprei a passagem e cheguei em Punta del Diablo sem muita expectativa, para piorar, chovía como a porra.

Eu, mochileira que sou, tinha planejado caminhar da estação até o hostel, porém o negócio estava tão tenso que era impossível. Foi quando o menino, o qual havia emprestado meu lençol porque está frio e o pobre não tinha nada, me ofereceu uma bela CARONA. Resumo: me deixaram na porta do hostel, como não amar?

Cochilei um pouco e quando acordei, saiu um sol inacreditável (olha o meu good luck, bad luck outra vez). Conheci a Natie (brasileira) e fomos aproveitar a praia. Nesse dia tinha uma banda super animada rolando na praia, fomos nos aproximando, tomando uma cervejinha e quando nos demos conta já estavamos dançando com as senhorinhas de 60 anos e vestidas com a camisa da banda.

A rotatividade e animação do Hostel Compay era impressionante, o que para mim foi ótimo pois acabei fazendo grandes amigos lá que renderam viagens futuras.

E assim eram os dias em Punta del Diablo, praia, caminhada, rede e livro durante o dia e durante a noite jantar e fazer um esquenta com o pessoal do hostel e sair para dançar no Bar Primata. Eram as mesmas músicas S E M P R R E, nO hostel, e no Primata. E foi assim que eu aprendi TODAS AS LETRAS de Marama, Rombai, Toco para vos, etc.

Mas o que eu amava mesmo era poder admirar o lindo amanhecer, na beira da praia de Punta del Diablo:


Cabo Polonio

Vista do farol

Guardem esse nome: Cabo Polonio. Na minha opinião esse foi um dos grandes achados no meu mochilão. É um vila, ou melhor, um paraíso perdido no Uruguai. Ainda pouco procurado por turistas, esse vilarejo oferece paisagens pitorescas, cercada de dunas, leões marinhos e características únicas que vão desde a forma de acesso à estrutura do vilarejo em si.

Eu e Rute na vila de Cabo Polonio

O local é muito rústico e tem atmosfera de paz e tranquilidade. Quase não possui energia elétrica, sinal telefônico e internet, ou seja, tudo perfeito para e desconectar desse mundo bandido e poder admirar o céu mais lindo que vi até o momento (eram umas 4 estrelas cadentes por noite).

Eu tinha decidido ir sozinha para Cabo e, por coincidência, acabei conhecendo um grupo de brasileiros que estavam no mesmo 4x4 (únicos veículos que tem autorização de acesso ao local). Foram meus companheiros nesses dias de praia, programas zen e baladas iluminadas pelas estrelas e pela lua.

Além disso, o vilarejo é conhecido pelo seu farol e seus leões marinhos. E ambos valem a pena a visita ;)


Por fim, o Uruguai foi uma grata surpresa! Fui embora com o coração cheio de saudade e com muita vontade de ficar.

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