O momento em que percebi que era a hora ir (e não saber quando voltar).
Uma das perguntas mais recorrentes nos últimos meses foi: “Por que você decidiu fazer um mochilão sozinha?”. E a partir dela eu (re)lembro sempre como foi o processo de tomar essa decisão.
Não foi algo de um dia para o outro, levou dias, ou melhor, meses, e muitas conversas e reflexões até o dia que cheguei a conclusão que tinha que ir. Naquele momento, só de pensar na idea de fazer um mochilão sozinha, meu estômago embrulhava, eu ficava ansiosa, roía as unhas… e isso para mim é um bom sinal, acredite!
O que compartilharei agora pode parecer um pouco desesperador, mas tudo que fiz, estudei, escutei, procurei e pensei era para dar um pouco de razão (e base) para uma decisão que estava tomada no meu coração e eu ainda não sabia.
Tudo começou ao final de 2014, um ano que foi complexo digamos de passagem, quando eu passava por uma montanha-russa de emoções, dentre elas: o peso de graduar e não ter um próximo passo ou trabalho claro, o término de um relacionamento amoroso importante e o fato de morar em uma cidade que não me encontrava como indivíduo. Esses foram o gatilho para pensar em todas as possibilidades que o mundo me reservara. Porém, ainda mais importante, esses foram os motivos que me fizeram pensar:
“O que eu estou fazendo da minha vida?”
Me questionei o porquê de estar levando uma vida sem tanta emoção, dentro de uma rotina e que não me fazia chegar em casa a noite e dizer: “Vei, eu tô muito feliz!”. E foi aí que comecei a pirar. De chorar horas por não saber o que fazer a ter conversas com meus anjos (amigos e familiares) sobre essa situação. E a luz no fim do túnel finalmente chegou!
O sonho
Há muito tempo eu tinha um sonho de conhecer mais o mundo (parece clichê, né?). E queria que fosse a partir do olhar e das histórias das pessoas de cada lugar que visitasse. Me vía sentada em uma praça, conversando com amigos sobre a política, comida, música e qualquer outro tema que surgisse.
A preparação
Em grande parte das minhas escolhas profissionais, tudo foi planejado perfeitamente. Exemplo: fazer um intercâmbio na China fazia sentindo pelo país ser um pólo internacional e ainda não havia tantas pessoas que tivessem uma experiência lá, eu seria um currículo com um diferecial (risos). E para me fazer acreditar que era uma boa escolha sair meu trabalho, gastar minhas economias de anos, desfazer meu apartamento, deixar minha família e amigos por tempo indeterminado e viver como nômade, eu tive que estudar, ler e conversar com pessoas que fizeram algo parecido! Eram horas lendo blogs, chats, tudo que possam imaginar. E isso me ajudou a ter mais certeza da minha escolha e como viver de forma mais espontânea.
Meus pais
Venho de uma família que sempre me incentivou a viver e me jogar de cabeça em tudo que desejei. O apoio e suporte da minha mãe e meu pai me fizeram enxergar que tudo isso era possível.
Fatos engraçados:
- Quando jovem meu pai enlouqueceu meus avós ao largar a medicina para ir morar na Índia (depois de alguns anos viajando ele retornou ao Brasil);
- Quando fui contar para minha mãe a decisão de largar tudo e ir viajar essas foram algumas de suas palavras: “Estou muito orgulhosa de você, minha filha!” e “eu tô achando que você demorou até, pensei que você ia embora antes”.
- Um mês antes de viajar, liguei para o meu pai para falar alguma coisa e ele ainda não tinha acreditava que eu realmente estava indo.
Meus amigos
Assim como a minha mãe, eles achavam que eu ia embora antes (risos). Foram muitas conversas que intercalavam entre #MigaSuaLoka e #TamoJunto, porém todas terminavam com: “É isso aí, se joga!”.
Meu coração
Ele já sabia e eu estava tentando enganá-lo levando a vida que levava. Sabe quando uma coisa te dá aquela sensação de borboletas no estômago? Essa era eu, ao pensar em minha viagem. Mas como falei, eu precisava racionalizar um pouco essa vontade tão espontânea que existia dentro de mim.
Carreira e ambiente profissional
Eu sentia que precisava de uma grande mudança no caminho profissional que estava traçando. Estava trabalhando em lugares maravilhosos, com pessoas incríveis e ainda assim não me sentia realizada. Como dizem meus amigos baianos: “Tem que ver isso aí.”
Outros tipo de ajuda
E foi nessa busca incessante por ajuda a me decidir que escutei músicas que me tocaram o coração (como Preciso me encontrar do Cartola), assisti filmes que me ajudaram a entender o momento que estava passando, e testei outros métodos menos convencionais para viver essa fase (risos): a meditação, o reike, o mapa astral, o centro espírita e até pedido à Yemanjá no dia 2 de fevereiro.
Cada um vive esse processo de tomar uma decisão importante de um modo. E esse foi o meu. Intenso e meio louco. Que mistura a razão com a emoção. Assim como eu sou.
O importante é que decidir ir, e estou vivendo uma das melhores experiências da minha vida!
Preciso me encontrar (Cartola)
“Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver”