SAMPA
A dureza da paisagem, de prédios e sujeira. Suas fundações emergem com violência, atravessando os olhares. Uma beleza pulsante e feroz que deseja ser desbravada por aqueles que se debruçam nos parapeitos e viadutos.
É das janelas que vemos a vida acontecer. Das janelas dos apartamentos, dos ônibus, dos carros. Aqueles que levantam os olhos do isolamento das telas veem a vida acontecer.

Suas luzes apontando para o chão, onde passos apressados e ambiciosos compõem o compasso frenético. Em meio a sinfonia não se percebe os sonhos que se dissipam no ar, como a fumaça dos escapamentos. Não se percebe os sonhos que se dissipam no ar, como a fumaça dos cigarros por entre os dedos.
Esta cidade perturbadora e, ao mesmo tempo, deslumbrante por sua intensidade. Sua pulsação nos movendo com fúria. Sua toxicidade contaminando quem está disposto a caminhar por suas ruas repletas de contrastes e concreto.
