Werner Borndholdt e Marcelo Favieiro no Encontro de Empresas Familiares

Como os nossos pais, avós, bisavós…

Empresas que estão em suas segunda, terceira, quarta… ou 18ª geração falaram abertamente de seus dilemas, angústias e conquistas em processos de sucessão da liderança

As empresas familiares representam 85% do total de companhias no Brasil, segundo o SEBRAE. Outro dado, da consultoria Ricca & Associados, especialista nesse mercado, mostra que, entre as maiores empresas do país, as familiares representam 95%. No entanto, apenas 30% chegam à segunda geração, e 5% à terceira, de acordo com a consultoria PwC, que, em 2010, fez um levantamento em diversos setores da economia.

Não é de se estranhar, portanto, que o tema sucessão tenha sido o escolhido pelo consultor gaúcho Werner Bornholdt para nortear o primeiro Encontro de Empresas Familiares (Enef), promovido por ele, na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul. O evento aconteceu entre os dias 12 e 13 de abril, reuniu mais de 300 membros de famílias empresárias e 26 cases. O único internacional abriu o encontro: Borja Raventós Sáenz é herdeiro da espanhola Cordoníu, uma produtora de vinhos que tem 460 anos e está na 18ª geração.

O tom do encontro foi o de conversas francas, de acionista para acionista. Em painéis que expunham cases bem-sucedidos de sucessão ou discutiam temas relacionados à governança corporativa, patriarcas, matriarcas e herdeiros expunham seus dilemas, angústias, resistências, descobertas. O papel dos conselhos de administração e de família, a importância — e dificuldade — de trocar a liderança do “porque eu quero” por processos bem estruturados, transparentes e replicáveis foram alguns dos assuntos debatidos. Depoimentos e opiniões foram trocados também informalmente, durante e logo depois dos painéis. Em alguns momentos, os encontros ganhavam ares de terapia em grupo.

Nos intervalos entre as palestras, especialmente nos horários das refeições, no entanto, não havia uma intensa troca de ideias nem de cartões. As famílias permaneciam, de modo geral, mais fechadas em seus núcleos. Talvez por questões culturais, não é de hoje que a postura reservada e discreta é uma das características mais marcantes das companhias familiares brasileiras.

Entre os palestrantes, estavam grandes grupos como Eliane Revestimentos, Simões, Lwart, Arcel, Piccadilly e Pernambucanas. Na plateia, havia representantes de empresas como a rede de supermercados Zaffari e a de loja de móveis Todeschini.

Publicarei, a seguir, alguns depoimentos colhidos durante as palestras ou debates do evento. Falas descontraídas, como raramente temos a oportunidade de presenciar. E que podem despertar insights e colaborar com o desenvolvimento da gestão de outras empresas, familiares ou não.