Rompimentos
A velha mania de categorizar e nomear coisas, principalmente quando estamos falando de relações, é extremamente perigosa. Desde pequenos, aprendemos que o sistema familiar é constituído por pai + mãe. Sem dúvida alguma, vivemos tempos inspiradores, que não só questionam mas também desconstroem o conceito de família diariamente. O caso é que as estruturas tradicionais já não funcionam, mas ainda precisamos de suporte. Beirando os 28, percebi que faço parte de inúmeras famílias por aí. E isso não quer dizer que não ame meus pais. Isso só quer dizer que preciso de outras referências para me sentir acolhida. Nos sentimos acolhidos quando somos ouvidos — e, acima de tudo, compreendidos. O fato é que nem sempre é possível encontrar amparo e empatia dentro de casa. E por que? Bom… sua mãe é evangélica, mas você é ateu. Você gosta de meninos e meninas. E seus pais? Vixe. A família tradicional brasileira silencia as diferenças. A família tradicional brasileira tem medo do que não conhece. A família tradicional brasileira oprime e justifica a opressão com desculpas esfarrapadas que quase sempre envolvem uma base religiosa preconceituosa e ultrapassada. A receita é bombástica e fode com a cabeça de qualquer jovem moderno: mais cobranças, mais inseguranças, mais pressão e menos diálogo. Em alguns anos, teremos uma geração de adultos psicologicamente avariados. Frágeis, vulneráveis e doentes. Por isso, busquem outras âncoras. Naveguem por outras castas. Encontrem o que falta. Identificar-se mais com quem vem de fora não é crime. Nem motivo pra se sentir culpado. Laços apertam e sufocam. Rompa-os enquanto é tempo.