As horas voam e a vida passa
Como os ponteiros de um relógio, dou voltas em torno de mim mesma. Vou embora, me apresso, mas acabo sempre voltando mesmo local que deixara pra trás na esperança de apenas seguir em frente.
As horas passam e vivencio um misto de sentimentos, uma mistura de sabores que dissipam ao saber que em breve encontraram água, resistência e ar.
Quando parece que não falta mais nada, o vazio à falta me traz.
Talvez esteja apenas me enganando. Queria poder me lembrar dos dias em que me senti assim, mas já dei tantas voltas que as pegadas deixadas se alteraram. Eu já não sei mais voltar.
Tenho desejos incompreendidos e mesmo assim não deixo de sonhar. Nos meus sonhos não sinto medo, acompanho de perto o que mais me perturba.
Eu não sei até quando poderei impedir que os segundos me empurrem, que os minutos acelerem e que as horas me afastem de tudo que conquistei.
Me atraso constantemente, mas nem por isso deixei de ser confiável.
Quanto aos meus devaneios, ainda não sei como posso me expressar sem que assuste os que atraí com tanto esforço.
Ritmado em meu tic tac, sinto que posso controlar melhor o que quero ou não sentir, ainda que meu domínio dure apenas alguns segundos.
E me sinto como um relógio independente. Sou as horas, os minutos, os segundos. Sempre.
Quando me desligo do que me faz mal, outras coisas surgem pedindo que eu lute por tudo aquilo que joguei pra baixo do tapete.
Se tiver alguém que possa me compreender, peço que me mostre as vantagens de compartilhar o que carrego em meu peito sem que eu tenha que me explicar.
Não quero que os dias se tornem meses, como os segundos se tornaram horas para mim.
Apenas mais um passo e já se passaram doze horas.
Finalmente acho que cheguei à uma conclusão, mas volto a acelerar os passos e me perco sem saber se sentirei tudo isso novamente.