Arianne Pirajá
Aug 9, 2017 · 1 min read

Enquanto durmo não tenho segredos

Meus seios escapam do lençol

E qualquer um que tenha a chave pode abrir os meus cadernos

Sonhos? Se tenho não lembro

A manhã rompe tudo o que guardei

Sou jogada pra fora da cama

Empurrada para o chuveiro

Despejada da minha própria casa

Servida numa bandeja velha e suja

Em um banquete para o qual não fui convidada

Mas a maçã está na minha boca

Quando eu mordê-la

Mando tudo para os ares

Tenho um relógio frio

E sei até esperar

Mas meu tempo é outro

Sou feita de redemoinho

Nada restará

Quando a língua resolver serpentear

    Arianne Pirajá

    Written by

    escritora e artista visual, mãe da Clara e meu sobrenome é Tempestade

    Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
    Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
    Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade