Grupo Nóis de Teatro apresenta ‘Todo Camburão tem um pouco de Navio Negreiro’ às sextas de janeiro

Ari Areia
Ari Areia
Jan 18, 2017 · 3 min read
Espetáculo se apresenta na programação do Teatro Carlos Câmara, sempre às 16h, gratuito

O Teatro Carlos Câmara recebe temporada do espetáculo ‘Todo Camburão tem um pouco de Navio Negreiro’, do Grupo Nóis de Teatro, às sextas-feiras de janeiro, com entrada gratuita. As sessões acontecem 16h dentro da programação de espetáculos de rua. A peça, com direção de Murilo Ramos e texto de Altemar Di Monteiro, traz à tona uma discussão dialética sobre a perseguição e criminalização das juventudes negras e pobres da periferia. O Teatro Carlos Câmara fica na rua Senador Pompeu, 454, Centro.

Dividido em três atos, o espetáculo conta a história de Natanael, uma espécie de anti-herói que nasce na periferia, vive inserido num sistema de opressão e violência e, aos 18 anos, resolve entrar pra PM.

“A pesquisa poética do grupo tem investido continuamente num estudo sobre Teatro Épico Dialético, no Camburão essa perspectiva está bem acentuada”, explica Altemar Di Monteiro, coordenador do grupo e mestrando em artes pela UFC. Altemar destaca, também, a forte relação da dramaturgia com o movimento negro e com a mitologia dos Orixás”. A temporada na CAIXA Cultural encerra no domingo (20), data que marca o Dia da Consciência Negra.

O espetáculo estreou em Fortaleza, em novembro de 2014, já fez 48 apresentações tendo participando de eventos como Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga e Festival de Teatro Lusófono, além de comunidades quilombolas do interior do Ceará e do Maranhão. O elenco é composto pelos atores Altemar Di Monteiro, Amanda Freire, Jefferson Saldanha, Maurício Rodrigues, Henrique Gonzaga, Doroteia Ferreira e Kelly Enne Saldanha. Para a montagem do espetáculo, o grupo Nóis de Teatro visitou várias comunidades quilombolas do Ceará e do Maranhão, dialogando também com movimentos sociais que pautam as questões da população negra.

Sobre o Nóis de Teatro

O grupo está localizado na periferia de Fortaleza, na Comunidade de Granja Lisboa (Av. José Torres, 1211), no Território de Paz do Grande Bom Jardim. Ao longo dos últimos 14 anos, o grupo tem construído uma ação continuada no que diz respeito a circulação de espetáculos, oferta de cursos, intercâmbios e oficinas (teatro e percussão) para a comunidade, contribuindo de forma significativa para a formação de plateia na periferia da cidade.

A pesquisa estética do grupo tem como matriz um olhar político sobre a sociedade, apoiando-se na poética democrática dos espaços públicos como lugar de encenação e descobertas. As vertentes do Teatro Épico Dialético e suas interfaces com a performance do ator de rua contemporâneo tem sido o mote para a sua construção poética, refletida no seu atual repertório de espetáculos: “A Granja”, “Quase Nada”, “Todo Camburão Tem Um Pouco de Navio Negreiro”, além das performances anuais da sua intervenção urbana “O Jardim das Flores de Plástico”.

+ O Teatro Carlos Câmara, vinculado à Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Ceará (Secult), tem sua gestão compartilhada com o grupo Teatro Máquina que foi selecionado, via chamada pública, para realizar ocupação artística no equipamento.

// SERVIÇO
TEMPORADA: “TODO CAMBURÃO TEM UM POUCO DE NAVIO NEGREIRO” — NÓIS DE TEATRO

SEXTAS: 06, 13, 20, 27. Às 16h
Teatro Carlos Câmara (Rua Senador Pompeu, 454. Centro)
Entrada: Gratuita

Ari Areia

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Ari Areia

Ator do Outro Grupo de Teatro, Jornalista Cultural e militante dos Direitos Humanos

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