Chegar aos 30: Fraldas ou um ano sabático?
Com vinte e poucos anos vislumbramos nossas vidas lá pelos trinta como um futuro distante. Mas ele chega rápido, quase na velocidade da luz e na intensidade da bateria de uma escola de samba.
Alguns decidiram chamar essa transição de década de retorno de Saturno. Provavelmente para os astros serem os culpados pelas nossas loucuras terrenas nessa fase. Na verdade fases, no plural, seria mais correto para definir, porque são tantas, não é?
Seja lá como for, os almoços em família nos feriados ou domingos provocam pensamentos em um cenário com relacionamento sério e trabalho responsável. Antes mesmo de chegar, caso ainda esteja solteira, você já se prepara psicologicamente para a pergunta clássica: “E o casamento, quando sai?”. Ainda bem que tem o melhor nhoque do mundo, o da sua avó, para você responder à altura: “Tio, só vou casar quando conseguir cozinhar tão bem quanto a vovó”.
Casa própria com a grama mais verde do que a do vizinho, casamento feliz, estabilidade financeira e fotos no porta-retratos das viagens pelo mundo passam em forma de slideshowpela sua cabeça enquanto termina o almoço. Mas logo depois da sobremesa, voltamos para a realidade.
Não que o ideal que acabou de passar em frames na sua mente não possa ou não seja realidade para muitas. Claro que é, mas o tempo de hoje é mais líquido, como disse o simpático filósofo de cabelos brancos, Zygmunt Bauman, sobre a nossa sociedade lotada de relacionamentos frágeis e carente de “ei, estou aqui com você para o que der e vier”.
Nos tempos da modernidade líquida, vivemos em altas e baixas, como a oscilação da bolsa de valores, encarando o espelho e as novas linhas de expressão todos os dias de manhã, antes do café e de cara amassada. Em alguns momentos, queremos véu, grinalda e os gêmeos Pedro e João. Em outros, a vontade mesmo é sair por aí sozinha ou com as amigas em um ano sabático sem status de relacionamento. Na segunda-feira me apaixono pela ideia de apaixonar-se loucamente por aquele cara que acabei de trombar na esquina. Na quarta, minha ginecologista lembra que é bom eu começar a tomar ácido fólico caso queira ter fraldas e amor espalhados pela casa.
E entre as idas e vindas dos anos que inauguram a melhor década para as mulheres — dizem os especialistas — o bom mesmo é aproveitar cada dia e cada nova loucura (ou certeza) com um sorriso largo e seguro, descobrindo todos os mistérios e tesouros que existem aí dentro, como um Indiana Jones, mas na versão com calcinha e sutiã. Ou sem. Tanto faz, amanhã a ideia pode ser outra, não é?
