De todas as produções humanas, as construções são as mais permanentes.

Os computadores são trocados a cada 2, 3, 5 anos. Os carros a cada 10, quem pode, 5. Os prédios ficam. Pense que a arquitetura é uma linguagem concreta, uma palavra permanente escrita na terra.

A arquitetura — me corrijam meus amigos arquitetos se eu estiver errado — de cada tempo traduz as ideias de vivência e convivência do ser humano de um recorte temporal. Quando construíram o Copan em São Paulo, me parece que idealizavam um prédio que agrupasse tudo, que ninguém precisasse sair pra buscar outra coisa, quase como uma colméia humana.

Entretanto, os arquitetos dos anos 70 viam um futuro que não é o que estamos vivendo. Os arquitetos de hoje, como esperam cumprir expectativas de convivência para daqui a 30, 40 anos?

Em São Paulo tão vendendo caixotes de luxo, apartamentos caríssimos de 19m². Disso surge todo o mobiliário doméstico que vamos comprar nas Casas Bahia em 20, 30 anos.

Por exemplo, tanto menor a cozinha, menores as panelas, as frigideiras… quem vai poder comprar uma televisão de 52'’ se não vamos ter espaço nem pra fritar um ovo?

A arquitetura é a língua de aço que verbaliza palavras de pedra.

Texto meu de 7 de Outubro de 2013.