PILOTO

Eu acabei de ler um texto do Larusso falando que todos os dias ele pensa em parar de escrever no blog dele. Eu predico isso, e não pratico. Praticava, mas parei. Agora volto a praticar.

Escrever é uma prática de lapidação de ideias, uma conversa interior, entre autor e obra, manifestação concreta de um diálogo interno.

A expressão por palavras nos faz exercitar uma série de habilidades, como a autocrítica, a retórica, o acesso ao vocabulário interno, palavras estas que ilustram todo um esquema mental indizível, representável talvez por metáforas visuais. Desenhos, digo.

A razão depende da imaginação. E ambas (razão e imaginação) são responsáveis por diferenciar-nos (humanos) dos outros vertebrados. Até onde se sabe, porque já estudam comportamentos de transmissão cultural em outros vertebrados, como baleias.

Mas voltando à escrita, capacidade até agora única de uma espécie neste planeta, ela serve à tradução de ideias em códigos objetivos. Não subjetivos, porque códigos subjetivos seriam algo como a música. Esse disco lendário do Chet Baker com o Bill Evans é intraduzível em palavras, fica restrito à leitura individual.

Caro Leitor, se você leu este texto até este ponto, escutou a música e acompanhou o autor até aqui, é possível entender o que se diz por “vômito de palavras”, o que pode ser uma ótima maneira de escrever um texto. Ou re-começar a escrever um blog. Voltando ao texto do Larusso, é assim que se começa. E não pretendo parar. Mas vamos começar com três vezes por semana, que é algo praticável.