Contos de um passageiro

Divulgação

Acordo com o telefonema do meu colega informando: sete horas na rodoviária, não se atrase. Tento fingir que já estou acordado há muito tempo e respondo que já estava a caminho. Comecei o dia com uma bela mentira. Meu despertador falhou.

Meu corpo se levanta e vai correndo para o chuveiro, sim, apenas o corpo. Minha consciência continua em repouso na cama. Demorei cerca de três minutos dentro do boxe. O primeiro pensamento foi em fazer uma ligação para o Guinness e informar o tal feito– mas estou com o tempo apertado, vou deixar para a próxima.

Nosso destino de viagem é a serra gaúcha, um acidente geográfico no estado do Rio Grande do Sul. Estamos realizando uma matéria para a universidade. Visto os meus melhores casacos na esperança que não vire o homem de gelo com as temperaturas imprevisíveis. Apanho o bloco de notas e minha caneta, e vou rumo à rodoviária.

Pela primeira vez desde que acordei, confiro o horário: são seis horas e trinta e cinco minutos da manhã. Maldito seja quem inventou que há vida antes do almoço–desconfio que tenha sido criação dos romanos, nunca gostei deles.

Chego no horário, uma das minhas qualidades que não canso de exaltar. Meu colega ainda não veio. O infeliz me acorda de madrugada e se atrasa? Tudo bem, vou relevar pelo simples fato dele ser um cara legal–a maioria das pessoas demonstra opiniões bem diferentes da minha. Beleza, tenho tempo de tomar um café.

As minhas manhãs só tem início após um belo café forte. Resolvo ir até o Maktub Café e peço para a funcionária um café acompanhado com o maior pão de queijo que eu já vi– não estou exagerando. Estou satisfeito e aguardando o meu amigo.

Meu companheiro de matéria finalmente chega. Eu penso em reclamar sobre o atraso, mas ele chegou com os dois bilhetes de passagens comprados. Se dirigirmos ao box 1. Já perceberam que a rodoviária nunca está vazia? Tu podes se direcionar para lá em qualquer horário que vai está lotada. Casais se despedindo e mostrando o verdadeiro amor, boêmios em buscas de novas aventuras e aquelas malditas pessoas que entram no ônibus com vinte mochilas–uma dessas entrou no que a gente estava e esbarrou nos meus óculos.

E lá íamos nós. Rumo ao jornalismo mais puro. Aquele que todos os estudantes almejam, e os profissionais também. Só duas horas nos separavam do nosso destino. Essas horas se transformaram em uma eternidade. Esperar é o maior mal para uma pessoa hiperativa. Enfim, resolvo tirar um cochilo para o tempo correr mais rápido.

Finalmente chegamos ao nosso destino. Eu poderia relatar como foi a nossa reportagem na serra, mas eu odeio distribuir spoiler. Posso adiantar que voltamos com experiências ótimas. E com muito material para escrever em poucos dias…

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.